30 julho 2010

A alegria do Senhor é a vossa força – DM Lloyd-Jones

Acima de tudo, consideremos o Mestre para quem trabalhamos. Lembremos quanto Ele suportou e quão paciente foi. ...Como foi tediosa Sua vida; a maior parte do Seu tempo foi gasto com gente simples e insignificante que não O compreendia bem. Mas Ele prosseguiu firme e sem se queixar. Como o fez? "Em troca da alegria que lhe estava pro¬posta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia" (Hebreus 12.2).
Aí está como o fez. Era por causa da alegria que estava diante dEle. Ele sabia do dia do coroamento que haveria de chegar. Ele via a colheita que iria fazer e, vendo-a, Ele conseguiu não prestar atenção às outras coisas, e, ainda, passar por cima delas gloriosa e triunfantemente. Pois eu e você temos o privilégio de ser como Ele. "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz" — é isso mesmo — " e siga-me'' (Marcos 8.34). Podemos até receber a honra de sofrer por Seu Nome. Paulo diz uma coisa por demais extraordinária, escrevendo aos colossenses (capítulo primeiro, versículo 24).

Diz ele que é seu privilégio preencher no seu corpo o que resta das aflições de Cristo. Que há de ser se eu e você, como cristãos, estamos tendo o mesmo privilégio sem o saber? Bem, lembre-se do seu bendito Mestre, olhe para Ele e peça-lhe perdão por haver-se deixado levar pelo desalento. Volte .a considerar assim a sua própria vida e, tão logo que o faça, ver-se-á cheio de nova esperança, novas forças, novo poder. Você não terá necessidade de estimulantes artificiais, nem de nenhuma outra coisa, pois verá que estará outra vez vibrando de entusiasmo pelo privilégio e alegria desta vida cristã, e se aborrecerá por haver murmurado e lamentado.

Você avançará ainda mais gloriosamente até que, finalmente Lhe ouça dizer: ' 'Muito bem, servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor." "Vinde, benditos de meu Pai! entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mateus 25.21, 23, 34).

Spiritual Depression, p. 201,2 261
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29 julho 2010

Comece com Deus! – M. Lloyd-Jones

Como, afinal, pode nossa atitude e conduta conformar-se com o que o nosso Senhor diz aqui (Mateus 7.12)? A resposta do Evangelho é que você deve começar com Deus. Qual é o maior mandamento? É este: «Amarás o Senhor teu Deus...» E o segundo é-lhe semelhante:«Amarás o teu próximo como a ti mesmo.» Observe a ordem. Você não começa partindo do seu próximo mas, sim, de Deus. Ora, as relações deste mundo jamais serão de fato boas, quer entre indivíduos, quer entre grupos de nações, enquanto todos nós não começarmos com Deus. Você não pode amar o seu próximo como a si mesmo enquanto não amar a Deus. Você nunca terá correta visão de si e do seu próximo enquanto não se tenha observado, e a ele, primeiramente à vista de Deus. ...

Assim, pois, começamos com Deus. Deixemos de lado todas as contendas, discussões e problemas e fitamos o Seu rosto. Começamos a vê-lO em toda a Sua santidade e onipotência, em todo o Seu poder criador, e nos humilhamos perante Ele. ... O conhecimento de Deus humilha-nos até o pó; e estando nessa condição, você não pensa em seus direitos e em sua dignidade. Você não sente mais necessidade de defender-se porque se acha indigno de tudo.

Mas, por sua vez, este modo de agir ajuda-nos a ver os outros como devemos. Vemo-los agora não mais como gente odiosa que está querendo usurpar os nossos direitos ... vemo-los como a nos vemos, como vítimas do pecado e de Satanás. ... Temos deles uma visão inteiramente nova. Percebemos que eles são exatamente como nós, e eles e nós estamos todos num aperto terrível. E nada podemos fazer. Mas tanto eles como nós devemos recorrer a Cristo e valer-nos da Sua maravilhosa graça. Começamos a desfrutá-la juntos e juntos queremos compartilhá-la. É assim que funciona. É o único modo pelo qual podemos sempre fazer aos outros o que queremos que eles nos façam.


Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 213-15.
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28 julho 2010

O espírito de Perdão – M. Lloyd-Jones

A prova de que você e eu fomos perdoados é que nos perdoamos a outros. Se achamos que os nossos pecados foram perdoados por Deus e nos recusamos a perdoar a alguém, estamos cometendo um erro: nunca fomos perdoados. Aquele que sabe que, unicamente mediante o sangue que Cristo derramou, foi perdoado, forçosamente perdoa os seus semelhantes. Ele não pode evitar fazer assim. Se realmente conhecemos a Cristo como o nosso Salvador, os nossos corações estão quebrantados e não podem ser duros, e não podemos negar perdão. Se você negar perdão a alguém, sugiro que talvez você nunca foi perdoado.

Toda vez que me vejo diante de Deus e me dou conta, ainda que pobremente, daquilo que o meu bendito Senhor fez por mim, fico pronto a perdoar qualquer coisa e a qualquer pessoa. Não posso recusar esse perdão, nem quero mesmo recusá-lo. . . Ore a Deus e diga: «Perdoa-me, ó Deus, como eu perdôo aos outros por causa daquilo que Tu fizeste por mim. Tudo o que peço é que me perdoes do mesmo modo; não no mesmo grau, porque tudo que eu faço é imperfeito. Do mesmo modo, por assim dizer, que Tu me perdoaste, eu estou perdoando a outros. Perdoa-me, como eu os perdôo em razão do que a cruz do Senhor Jesus Cristo fez no meu coração».

Esta petição está transbordante da expiação, da graça de Deus. Vemos quão importante ela é pelo fato de que nosso Senhor realmente a repete. . . (nos versículos 14 e 15 — de Mateus 6): «. . .se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas». O fato é absoluto e inevitável.

O verdadeiro perdão quebranta o homem, e ele forçosamente é levado a perdoar. Assim, quando proferimos esta oração, pedindo o perdão, nós estamos testando a nós mesmos nesse assunto. A nossa oração não será genuína, não será verdadeira, não terá valor nenhum, se não houver perdão em nosso coração. Queira Deus dar-nos a graça de sermos honestos para conosco mesmos.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 75,6.
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27 julho 2010

Cuidado com o breve deleite – M. Lloyd-Jones


O Evangelho não visa a denunciar o prazer e a satisfação; na verdade, o Evangelho oferece alegria maior "do que qualquer outra coisa a pode oferecer. Mas o Evangelho não se contenta em testar as ações somente através desse padrão único. Deseja conhecer a natureza das alegrias ou prazeres, se ela é boa, se é verídica e se é bela. . . Os homens e mulheres de hoje não gostam de usar os processos de raciocínio e discernimento. Quais crianças, desejam fazer o que gostam. . . Por conseguinte, aborrecem a disciplina e a necessidade de enfrentar dificuldades. Fazem objeção à incomodidade de terem de enfrentar questões da verdade, do bem, do mal e da beleza. Fazem o que querem fazer, sempre estribados na idéia de que está certa a auto-expressão. Têm um único padrão de valores, o do prazer. . . Contemtam-se com um só teste — é agradável?. . . Não é tal atitude inteiramente suicida, a julgar pelo verdadeiro padrão da natureza humana?. . . se você deseja meramente satisfazer à concupiscência e a paixão pelo prazer, então que apele para o culto moderno. Porém, se você deseja que a totalidade do seu ser ganhe desenvolvimento e expressão, considere a sugestão antes exposta como sugestão feita pelo próprio inferno. . .


Entretanto. . . apliquemos o teste prático. Leia a Bíblia . . . Davi, o rei de Israel, mostrou seu lado melhor e mais elevado, expressando seu verdadeiro «eu», quando aplicou o teste único do prazer na questão de Bate-Seba, tendo-se feito, assim, ladrão e homicida? Agostinho deu mais fiel expressão a si mesmo, quando ainda era um filósofo imoral, ou depois, quando se tornou o crente disciplinado e fiel que ele foi? . . . Medite sobre todos os membros do nobre exército de santos e mártires que se negaram a si próprios. . . e obedeceram ao ensino do Evangelho! Compare-os e contraste-os com os sensuais. . . libertinos da história. . . A maneira correta de expressar o próprio «eu» é o caminho da disciplina e da ordem, o caminho da razão e da oração. . . Você terá um «eu» que se expressará com dignidade e que se desenvolverá com o passar dos dias.


Truth Unchanged, Unchanging, p. 25-28.
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26 julho 2010

Filho meu, dá-Me o teu coração – M. Lloyd-Jones


(Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus). Chegamos agora ao que indubitavelmente é uma das maiores afirmações encontradas em qualquer dos vastos domínios da Escritura Sagrada. Quem quer que chegue a captar um pouquinho que seja do significado das palavras: «Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus», só poderá abordá-las com sentimento de temor e de sua total falta de adequação...


Encontra-se aí, por certo, a própria essência da posição cristã e do ensino cristão. «Bem-aventurados os limpos de coração». E disso que trata o cristianismo, Sua mensagem é essa. . . O Evangelho de Jesus Cristo lida com as coisas do coração: toda a sua ênfase recai no coração. . . Leia nos Evangelhos os relatos do ensino de nosso bendito Senhor, e você verá que de começo a fim Ele fala a respeito do coração. . . Nosso Senhor sem dúvida põe essa ênfase aí por causa dos fariseus. Era a grande acusação que Ele sempre lançava contra eles, por mostrarem interesse pelo exterior dos copos e pratos, enquanto ignoravam o interior. Vistos externamente, estavam sem mancha. Mas por dentro estavam cheios de rapina e iniqüidade. Sua maior preocupação era com o conjunto de atos externos da religião; mas esqueciam os preceitos mais importantes da lei, a saber, o amor a Deus e o amor ao próximo.


Assim é que o Senhor repete aqui Sua grande ênfase neste ponto. O coração ocupa toda a parte central dos Seus ensina¬mentos. . . Ele dá ênfase ao coração, e não à cabeça. . . Ele não elogia os intelectuais; Seu interesse está no coração. . . Devemos sempre evitar dar-nos por satisfeitos com um mero assentimento intelectual à fé ou a dado número de proposições. Devemos fazer isso, mas o terrível perigo é que fiquemos só nisso.


Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 106,108,9
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23 julho 2010

O Caráter da fé – M. Lloyd-Jones

Qual é a natureza da fé? ... É óbvio que a fé não é simples questão de sentimento. . . se a fé fosse apenas questão de sentimentos, então, quando as coisas andassem mal e os sentimentos mudassem, a fé desapareceria. Mas a fé não é somente coisa dos sentimentos. A fé abrange o homem integral, incluindo a mente, o intelecto e o entendimento. É sua resposta à verdade, como veremos...

A fé não age automaticamente. . . magicamente. . . Muita gente concebe a fé como algo semelhante aos termostatos de um aparelho de aquecimento. Você ajusta o termostato num certo nível. . . e ele funciona automaticamente. . . Pois bem, existem muitos que parecem pensar que a fé opera desse jeito. Supõem que, não importando o que lhes suceda, a fé funcionará e tudo estará bem. Todavia, a fé não age assim, mágica e automaticamente. Se fosse assim (para os discípulos, durante a tempestade na Galileia — Lucas 8.22-25) não teria havido problema algum; a fé teria entrado em funcionamento, eles teriam permanecido calmos e tranqüilos, e tudo teria andado muito bem. Mas a fé não é desse jeito. . .

O que é a fé? Consideremo-la positivamente. O princípio ali ensinado é que a fé é uma atividade, e uma coisa que tem de ser exercida. Não entra em operação por si mesma; você e eu temos que fazê-la funcionar. . . Foi exatamente isso que o Senhor disse àqueles homens. Declarou-lhes: «Onde está a vossa fé?» É o mesmo que se Ele tivesse dito: «Porque não tomais a fé que tendes e a aplicais à presente situação?» ... A fé consiste de nos recusarmos a entrar em pânico. . . Parece ser, então, algo demasiado terreno e não suficientemente espiritual? Isso é algo que pertence à própria essência da fé.

Spiritual' Depresston, p. 142,3.
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22 julho 2010

Orar sempre, e nunca esmorecer – M. Lloyd-Jones


Não é possível exagerar a importância da persistência. Você a descobre não somente no ensino bíblico mas também na vida de todos os heróis da fé. ... Se realmente queremos ser homens de Deus, se realmente queremos conhecê-lo, andar com Ele e experimentar aquelas ilimitadas bênçãos que Ele tem para oferecer-nos, devemos persistir em pedir-lhas dia a dia. É preciso que sintamos esta fome e sede de justiça, e então seremos fartos. E não quer dizer que seremos saciados uma vez e para sempre. Continuamos tendo fome sede. À semelhança do apóstolo Paulo, deixando as coisas que para trás ficam, prosseguimos «para o alvo.» «Não que eu o tenha já alcançado», diz Paulo, «mas prossigo» (Filipenses 3.12-14) É isso. Esta persistência, este desejo constante, pedindo, buscando e batendo. Este - temos de concordar - é o ponto em que a maioria dentre nós falha.

Apeguemo-nos, pois, a essa princípio fundamental. Examinemo-nos à luz destas Escrituras e dos quadros descritivos do cristão dados pelo Novo Testamento. Consideremos estas gloriosas promessas e perguntemo-nos: «Eu as estou experimentando?» E se verificarmos que não, como nós todos devemos confessá-lo, temos que voltar a esta grande declaração. É isso que pretendo dizer referindo-me às possibilidades. Embora eu deva começar pedindo e buscando, devo prosseguir assim até sentir consciência de progresso, de desenvolvimento e da elevação a um piano espiritual mais alto. Temos que manter-nos firmes nisso. È «combate da fé.» É «aquele que perseverar até o fim» que será salvo, neste sentido. Persistência, continuidade em fazer o bem, «orar sempre e nunca esmorecer» (Lucas 18.1).

Não orar apenas quando queremos receber uma grande bênção, e depois parar. Orar sempre. Persistência. Essa é a primeira coisa. A compreensão da necessidade, a compreensão do suprimento disponível, e a persistência em buscá-lo.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 201,2. 293
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21 julho 2010

Conhece-te a ti mesmo – Lloyd-Jones


Todos concordamos em que devemos examinar-nos a nós mesmos, mas também concordamos em que a introspecçâo e a morbidez são ruins. Mas, qual a diferença entre examinar-nos a nós mesmos e nos tornarmos introspectivos? Entendo que cruzamos a fronteira entre o auto-exame e a introspecção quando, em certo sentido, nada mais fazemos senão examinar-nos, e quando esse auto-exame se torna o fim -dominante e principal da nossa vida. É de esperar que periodicamente procedamos a um exame de nós mesmos; mas se o fazemos sempre, sempre pondo, por assim dizer, nossa alma em um recipiente para dissecá-la, isto é introspecção. E se passamos o tempo todo falando aos outros de nós e de nossos problemas e inquietações, e se vamos toda a vida a eles com uma carranca, dizendo: «Estou com um grande problema», isso bem pode significar que ficamos o tempo todo centralizados em nós mesmos. Isso é introspecção e, por sua vez, leva-nos à condição conhecida como morbidez

Eis aqui, pois, o ponto de que devemos partir. Conhecemo-nos a nós mesmos? Conhecemos o perigo específico de cada um de nós? Sabemos bem a que estamos especialmente sujeitos? A Bíblia está repleta de ensinamentos sobre isso. A Bíblia nos exorta a que sejamos cuidadosos quanto à nossa força e à nossa fraqueza. Pensemos, por exemplo, em Moisés. É-nos dito que ele era o homem mais manso que o mundo já conhecera; e contudo. . . seu grande fracasso teve ligação precisamente com esse tema. Afirmou sua própria vontade e se zangou. Temos que vigiar nosso ponto forte, e temos que vigiar nosso ponto fraco. . . Se sou naturalmente introvertido, tenho que tomar cuidado com isso, e devo alertar-me a mim mesmo, não seja o caso de que inconscientemente venha a deslizar para a condição de morbidez.

O extrovertido deve, do mesmo modo, conhecer-se e estar vigilante contra a tentação peculiar à sua natureza. Alguns, por sua natureza e tipo de personalidade que os caracterizam, são mais dados a esta . . .depressão espiritual do que outros. Pertencemos ao mesmo grupo de Jeremias, João Batista, Paulo, Lutero e muitos outros. Grandiosa companhia! Sim. . . mas você não pode fazer parte dela sem estar sujeito a essa exata provação.

Spiritual Depression, p. 17,18.
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20 julho 2010

Jesus. . . Jesus. . . Jesus. . . – Lloyd-Jones


Acima de todos os outros fatos está o mais glorioso de todos: o próprio Jesus Cristo. São-nos dados nos Evangelhos os pormenores da Sua vida terrena, de sorte que podemos obter consolo nas horas de aflição. Sobretudo, lembremo-nos de que o Filho de Deus em pessoa andou por este mundo. Não há nada que Ele não saiba da contradição dos pecadores em contraposição a Ele. Embora sendo Ele o Filho de Deus, sabia o que era ficar cansado, ficar exausto, enfraquecer-se fisicamente, suar gotas de sangue em agonia. Sabia o que era enfrentar o mundo inteiro e todo o poder de Satanás e do inferno acumulado contra Ele. «Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes foi ele tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado» (Hebreus 4.15).

Não há nada que Ele desconheça da nossa fraqueza e da nossa fragilidade. A encar-nação não é mera idéia; é um fato: «E o Verbo se fez carne» (João 1.14). E em nossa agonia e fraqueza, podemos sempre voltar-nos para Ele com confiança, sabedores de que Ele nos compreende, de que Ele nos conhece e de que pode socorrer-nos. O Filho de Deus fez-se homem para fazer-se o nosso perfeito Sumo Sacerdote e para que pudesse conduzir-nos a Deus.

Minha esperança se ergue sobre o Redentor, sobre o sangue e a justiça de Cristo, o Senhor. Quando as trevas parecem Seu rosto velar, eu repouso em Sua graça imutável, sem par. Em todo temporal de um borrascoso mar, em meio a escuro véu, minha âncora me firma em Cristo, Rocha eterna, e em Sua justiça, pois qualquer outra base é areia movediça.

Assim sendo, haja o que houver, «regozijar-me-ei no Senhor, e me alegrarei no Deus da minha salvação».
From Fear to Faith, p. 7 7,8.
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19 julho 2010

Uma Semente - D. Martyn Lloyd-Jones


O argumento é que ser "nascido de Deus" significa que uma semente, ou um princípio da vida eterna, foi colocada em nós. Essa é a doutrina que, como indiquei num estudo anterior, torna completamente impossível aceitar o ensino acerca do "Deixe correr e deixe com Deus". É-nos dito que, porque esta semente da nova vida está em nós, não podemos continuarem pecado. A verdade é afirmada categoricamente. É-nos dito que nada podemos fazer, senão entregar-nos ao Senhor; temos de compreender que Ele colocou um princípio de vida, uma semente, em nós, e que não podemos continuar praticando o pecado porque a semente está em nós; quer dizer, somos nascidos de Deus. Este princípio de vida que Ele colocou em nós tem poder, tem força, muda tudo. "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Coríntios 5:17).

Aquela outra idéia segundo a qual o cristão permanece sendo o que sempre foi, mas agora repousa no poder de Deus - idéia colocada nos termos da i lustração do atiçador de chama- é também uma negação deste ensino acerca da semente. O cristão não é simplesmente alguém que tomou uma decisão, que decidiu seguir a Cristo e fazer isso ou aquilo. Ele o faz, porém o que o leva a fazê-lo é que esta semente da vida eterna foi colocada nele, que ele é nascido de Deus. Há nesse homem algo que é maior do que o homem todo, e este é o novo princípio que vai governar a totalidade da sua vida. Posto que é assim, ele não pode continuar vivendo como vivia. Diz a Bíblia que a princípio ele é apenas um bebê, uma criança, em Cristo. Portanto, surge a questão: como esse bebê pode crescer, como essa criança pode desenvolver-se? Ou, coloquemos a interrogação noutra forma - como é que este princípio de vida, poder e vigor pode ser alimentado, nutrido e desenvolvido e assim fortalecer-se cada vez mais?

A melhor maneira de responder essa pergunta é seguir a linha da analogia sugerida pela terminologia utilizada nas Escrituras. A necessidade óbvia é de comida e bebida. De que é que o bebê recém-nascido necessita acima de tudo? Alimento e água. Necessita de nutrição. Se o bebê há de desenvolver-se, vindo a ser criança, adolescente, homem, precisa de sustento. O bebê recém-nascido é dependente e fraco, e nada pode fazer em seu próprio benefício. Mas virá o dia em que ele terá força, vigor e poder, e será capaz de fazer coisas para si e para outros. O alimento e a água produzem esta mudança. Na vida cristã é exatamente a mesma coisa; e este é um modo como nos tornamos fortes "no Senhor e na força do seu poder".

Como cristãos, recebemos força e poder da semente da vida que é colocada em nós. Todavia a semente terá que medrar e desenvolver-se, e nós temos que tomar medidas, providenciando para que a vida de Deus a nós dada medre, se desenvolva e constantemente seja cada vez mais forte.

Para mostrar como isso acontece, devemos resumir o ensino que trata deste problema em quase toda parte da Bíblia. Começo falando de comida e bebida porque estas vêm em primeiro lugar. Como as obtemos? O nosso Senhor responde pessoalmente no versículo trinta e cinco do capítulo seis do Evangelho Segundo João; "Aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede". Comida e bebida satisfazem a fome e a sede. Em Cristo as encontramos, indo a Ele, e perseverando em ir a Ele. "Aquele que vem" - que persevera em vir a Mim - "não terá fome, e quem crê" - quem persevera em crer-"nunca terá sede." No mesmo capítulo, no versículo 53, lemos: "Jesus pois lhes disse: na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele". E mais: "Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo (ou por causa do) Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim". Aí temos ensino profundo e místico. Certos ouvintes reagiram e disseram: "Duro é este discurso; quem o pode ouvir?" Do que é que Ele está falando? "Como nos pode dar este a sua carne a comer?" (versículo 52), perguntaram eles. Tropeçaram nisso. Na verdade nos diz a passagem que "muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele" (versículo 66). Não puderam entender as palavras do Senhor e, na verdade, ofenderam-se com elas.
Portanto, estas palavras chegam a nós como uma prova. A nossa reação a estas palavras proclama exatamente o que somos e onde estamos. Nada mais glorioso e maravilhoso jamais foi oferecido aos seres humanos, e, todavia, é possível às pessoas rejeitar a mensagem e ter profunda aversão por ela. Parecia que todos O estavam abandonando, pelo que o nosso Senhor voltou-Se para os discípulos e disse: "Quereis vós também retirar-vos?" Pedro, sem entender plenamente o que estava falando, disse: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus".

Então, que quer dizer isso? Diz o nosso Senhor que as Suas palavras são espírito, não carne. Ele não está falando de coisas materiais. Está falando de maneira espiritual. Ele está utilizando uma analogia aqui. O que Ele quer dizer, e diz, é: o Pai Me enviou, e Eu vivo por causa do Pai. Vivo pelo Pai, e recebo Minha força, Minha nutrição e Meu poder do Pai. Isto faz parte do que a encarnação envolve. Jesus não tinha deixado de ser o Filho de Deus, mas tinha assumido a natureza humana. Agora estava vivendo a Sua vida como homem, com a natureza humana. Não estava vivendo em termos da Sua divindade; esta continuava nEle, porém Ele não vivia por ela. Estava vivendo uma vida de completa dependência do Seu Pai. Por isso orava com tanta regularidade como orava. Diz Ele: Eu vivo pelo Pai; isto é, do Pai Eu retiro a Minha força, aMinha nutrição, tudo que é Meu. E Ele diz que, de igual maneira, o homem que verdadeiramente crê em Mim, vive por causa de Mim. Ele Se expressa em termos de comer Sua carne e beber Seu sangue; o que realmente significa assumi-10, crer nEle como Ele é em toda a Sua plenitude, e daí por diante viver uma vida determinada, dirigida e governada por esta fé nEle, por esta rendição a Ele, por esta confiança nEle e na força do Seu poder.


O Senhor fala disso dramaticamente, naqueles termos, a fim de que possamos ver que se trata de algo que eu e você temos de fazer de maneira total e completa. Não basta que digamos: "Sim, eu creio no Senhor Jesus Cristo, cri nEle num dado momento e, desde aquele momento, tenho sido sempre cristão". A verdadeira fé em Cristo leva a "comer a carne e beber o sangue", quer dizer, realmente comer e beber, mastigar, engolir, assimilar, fazer disso uma parte do seu ser, compreendendo que Ele é o seu Pão da vida. "Eu sou o pão da vida", diz Ele. Ele Se contrasta com o maná do deserto, que era apenas um tipo e uma figura - algo dado para manter o bem estar físico - e, contudo, um grandioso tipo do que Ele ia fazer quando viesse. "Eu sou o pão da vida... se alguém comer deste pão, viverá para sempre", diz Ele. Todo aquele que comer de Mim jamais morrerá, neste sentido espiritual, porque está recebendo vida, torna-se "participante da natureza divina", alimenta-se de um maná celestial. Ele está se alimentando de Mim, está vivendo em Mim, está vivendo por Mim, está vivendo porque Eu Sou o que Sou e realizei a obra que o Pai Me deu;
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17 julho 2010

Meu Pai Sabe - M. Lloyd-Jones

Nosso Senhor diz: «Pai nosso que estás nos céus»; e o apóstolo Paulo diz: «O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo» . . . E de vital importância, quando oramos a Deus e O chamamos Pai nosso, que nos lembremos. . . da Sua grandeza e majestade, e do Seu poder absoluto. . . que recordemos que Ele sabe tudo a nosso respeito. Diz a Escritura: «Todas as cousas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas». . . 

Não é de admirar que, quando escreveu o Salmo 51, Davi dissesse, na angústia do seu coração: «Eis que te comprazes na verdade no íntimo». Se você quer ser abençoado por Deus, terá que ser absolutamente honesto, terá que aperceber-se de que Ele sabe todas as coisas, e que não há nada escondido dEle. . . como o sábio que escreveu o livro de Eclesiastes coloca a questão, é de vital importância que, quando oramos a Deus, nos lembremos de que «Deus está nos céus, e nós na terra».


Devemos lembrar então a santidade de Deus, Sua justiça, Sua total e absoluta retidão. . . toda vez que nos aproximamos dEle, devemos fazê-lo «com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor» (Hebreus 12.28,29).


Essa é a maneira de orar, diz Cristo. . . nunca separar estas duas verdades. Lembre-se de que você está se aproximando do todo-poderoso, eterno, sempre bendito e santo Deus. Mas lembre também que o mesmo Deus, em Cristo, tornou-se seu Pai, que não apenas sabe todas as coisas a seu respeito porque Ele é onisciente, mas também sabe todas as coisas a seu respeito no .sentido de um pai que tudo sabe sobre seu filho. . . Junte estas duas coisas. Deus, em Sua onipotência, olha para você com santo amor e conhece cada uma de suas necessidades. . . 

Nada Ele deseja tanto como abençoá-lo, e que você seja feliz, alegre e próspero. Depois, lembre-se disto, que Ele «é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos». Como seu «Pai está nos céus», Ele está muito mais disposto a abençoá-lo do que você por ser abençoado. E também não há limite a Seu poder absoluto.
    Sudies in the Sermon on the Mount, ii, p. 55,6,
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15 julho 2010

Deus não pode ser excluído! – Lloyd-Jones

Como é que você pode fazer planos para a vida e para o mundo e, ao mesmo tempo, excluir Deus, que é o Criador, o Preservador e o Governador de todas as coisas? Deus não somente fez o mundo; Ele está ativamente interessado nele, e constantemente intervém em suas atividades. Suas leis são absolutas e não podem ser evitadas. . . Deus decidiu, ordenou e fez os ajustamentos necessários para que uma vida de esquecimento dEle e de antagonismo a Ele não tenha sucesso e não seja feliz. . . Essa é toda a história da humanidade desde o princípio, continua hoje, e continuará sendo assim até o fim dos tempos.

A humanidade tem-se recusado a reconhecer isso — de fato, o tem ridicularizado. Tem estado confiante em que pode obter bom êxito sem Deus. Quais os resultados, porém? Fracassos constantes. Deus não pode ser impedido em Sua cbra. Os fatos da vida e as narrativas da história proclamam a ira de Deus contra toda impiedade e injustiça. Esse é o nosso primeiro problema. Pecamos contra Deus. É errôneo o nosso relacionamento com Ele. Sua ira paira sobre nós. Nós Lhe fizemos impossível abençoar-nos. . . Ninguém pode guardar a lei. . . Não há esperança, então? Não se pode fazer nada? Graças a Deus, o Evangelho de Cristo dá a resposta. . . Deus liquidou o assunto dos nossos pecados, por meio de Cristo. As exigências da santidade e da justiça foram satisfeitas. . .

Deus, em Cristo, está pronto para receber-nos . . . Deus, em Cristo, oferece-nos remissão e perdão, e, em vez de maldição, bênção. Sem Deus não podemos ser felizes, «pois para o ímpio não há paz, diz o meu Deus». Por mais que tentemos, conforme tem feito a humanidade, não obteremos êxito. O primeiro passo consiste de obter o favor de Deus, o que gloriosamente, em Cristo, é possível — na verdade, é-nos oferecido.

The Plight of Man and the Power of God, p. 85-7
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12 julho 2010

Capacita-nos a Ver – M. Lloyd-Jones

Vem, Intérprete divino, capacita-nos a ver e o Teu Santo Livro ler

Também, somente o Espírito Santo é quem nos pode dar verdadeira compreensão espiritual das Escrituras, entendimento da doutrina. João o esclarece bem (1 João 2.20). Ele fala dos «anticristos», aquelas pessoas que tinham estado na Igreja e saíram, porquanto não eram dela. Achavam que eram elementos convertidos e tinham sido aceitos como tais. Mas agora, tinham saído.

Na verdade, nunca foram crentes verdadeiros. . . A questão que surge é: «como podemos diferençá--los?» como poderiam esses incultos cristãos da igreja primitiva, na maioria escravos, discriminar esses pontos? João diz: «E vós possuis unção que vem do Santo, e todos tendes conhecimento». Ele repete isso no versículo 27: «A unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine».

Há uma unção dada pelo Espírito Santo que nos dá entendimento. Assim é que muitas vezes tem sucedido na longa história da Igreja que certas pessoas indoutas, mais ou menos iietradas, têm sido capazes de distinguir entre a verdade e o erro muito melhor do que os grandes doutores da Igreja. Eram suficientemente singelos para confiar-se àquela «unção», e assim podiam discernir as diferenças e quais as coisas que não estavam de acordo.

O piedoso Samuel Rutherford, aquele poderoso homem de Deus que viveu há trezentos anos na Escócia, fez um dia o seguinte comentário: «Se você quer ser um teólogo profundo, recomendo-lhe a san-tificação». Em última instância, o meio para compreender as Escrituras, e toda a teologia, é tornar-se santo. É estar sob a autoridade do Espírito. É ser conduzido pelo Espírito.
Authority, p. 78,9.
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09 julho 2010

Os dois mundos – M. Lloyd-Jones


O cristão e o não-cristão pertencem a dois domínios inteiramente diversos. . . a primeira coisa que você deve entender sobre si mesmo é que você pertence a um reino diferente. Você não difere apenas na essência; você vive, em dois mundos que diferem de modo absoluto entre si. Você está neste mundo; não pertence a ele, porém. . . você é cidadão doutro reino. . .

Que se quer dizer com este reino dos céus?. . . Significa, em sua essência, o governo de Cristo, ou a esfera e domínio em que Ele reina. . . Muitas vezes, quando Ele estava aqui, nos dias de Sua carne, nosso Senhor disse que o reino dos céus já estava presente. Oride quer que Ele estivesse presente e exercesse autoridade, ali estava o reino dos céus. Você recorda como, em certa ocasião, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Ele demonstrou-Ihes a completa loucura disso, e prosseguiu, dizendo: «Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós» (Mateus 12.28). Eis o reino de Deus. Sua autoridade e Seu reinado estavam presentes na prática. Eis, então, Sua frase, quando disse aos fariseus:«O reino de Deus está dentro em vós», ou, «o reino de Deus está entre vós».

Era como se dissesse: «Ele está-se manifestando no meio de vós. Não digais: olhe para cá, ou: olhe para lá. Despojai-vos dessa noção materialista. Aqui estou entre vós; estou realizando obras. O reino está aqui». Onde quer que o reino de Cristo esteja sendo manifestado, ali está o reino de Deus. E quando Ele enviou Seus discípulos para pregar, disse-lhes que falassem às cidades que não os recebessem: «Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus» (Lucas 10.11).

Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 39,40
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08 julho 2010

A Importância do Fim – M. Lloyd-Jones


Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte (Provérbios 14.12)

A importância do «fim» é constantemente salientada na Bíblia.


O Senhor definiu o ponto de uma vez para sempre no Sermão da Montanha. «Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela» . . . Olhe para o caminho largo; que aparência maravilhosa tem! Você pode ir com a multidão, você pode fazer o que todo mundo faz, e todos sorriem e acham graça. Amplos e largos são a porta e o caminho. Tudo parece maravilhoso! E estoutra parece tão miserável! — «estreita é a porta». Um de cada vez, a decisão pessoal, o combate ao ego, o levar a cruz. . . Muita gente está no ca-minho largo porque só observa o começo. . . Não olha para o fim. . .


O fim de um é perdição, do outro, vida. A dificuldade da vida de hoje em dia é que as pessoas olham só o começo. Sua visão da vida é o que podemos chamar de visão da vida de ator de cinema. Esta sempre atrai, e todos os que vivem essa vida parecem passar o tempo maravilhosamente bem. Pena é que muitos jovens são criados pensando que isso é vida, e que viver sempre desse modo é a suprema felicidade. . . as pessoas se deixam atrair pela aparência. Olham somente para a superfície; olham somente o começo. Não olham para o fim desse tipo de vida; não se dedicam nem um pouco a pensar no resultado último. Sem embargo, é verdade hoje, como sempre foi, e a Bíblia sempre o afirma, que o fim dessas coisas é «perdição».


Faith on Trial, p. 50,1.
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07 julho 2010

Quando acordo, ainda estou contigo - Lloyd-Jones


Sempre estamos na presença de Deus. Sempre estamos sob o Seu olhar. Ele vê cada uma de nossas ações e mesmo cada um dos nossos pensamentos. . . Ele está em toda parte . . . Ele vê tudo. Ele conhece o seu coração; os outros não o conhecem assim. Você pode enganar a eles e pode persuadi-los de que você não é nem um pouco egocêntrico; mas Deus conhece o seu coração. . . Quando despertamos pela manhã, imediatamente devemos lembrar e meditar que estamos na presença de Deus. Seria boa idéia dizer a nós mesmos, antes de sair: «Durante este dia inteiro, tudo c que eu fizer, disser, experimentar, pensar e imaginar estará sob os olhos de Deus. Ele estará comigo; Ele vê tudo; Ele sabe todas as coisas.

Não há nada que eu possa fazer ou procurar fazer de que Deus não esteja ciente de modo pleno e total. «Tu, ó Deus, me vês». Nossa vida sofreria verdadeira revolução se agíssemos sempre assim. . . os numerosos livros que tratam da vida de devoção se concentram todos nesse ponto. . . Esta é uma verdade fundamental, a mais séria de todas — que estamos sempre na presença de Deus. Ele vê todas as coisas e conhece-as a todas, e jamais nos podemos furtar da Sua vista (ver o Salmo 139) ... Se tão-somente nos lembrássemos disto, a hipocrisia se desvaneceria, a bajulação de nós mesmos, e tudo quanto fazemos de pecaminoso, por acharmos que somos superiores aos outros, desapareceria de imediato. . .

Se todos nós adotássemos aquela prática, ela seria revolucionária. Tenho toda a certeza de que teria início um reavi-vamento para valer. Que diferença faria na vida da igreja e na vida de cada indivíduo! Pensemos em tudo que é pretensão e fingimento, em tudo que é indigno em todos nós! Se tão-so-mente nos déssemos conta de que Deus está olhando para todos, e tem ciência de tudo isso, e de que tudo anota!. . . a pessoa que começa tendo verdadeira percepção dessa reali-dade, logo será vista ir correndo para Cristo e Sua cruz, rogando que Deus a encha do Espírito Santo.


Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 15,16.
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05 julho 2010

O Evangelho Continua Relevante? - Martyn Lloyd-Jones

O evangelho de Jesus Cristo confronta e desafia o mundo moderno com a declaração de que somente o evangelho tem a resposta para todas as perguntas do homem, bem como a solução para todos os seus problemas. Em um mundo que procura saída para suas tragédias e tubulações, o evangelho anuncia que a solução já se acha disponível. Em um mundo que olha ansiosamente para o futuro e que fala em planos relativos a ele, o evangelho proclama que esta busca por outra saída não apenas está errada quanto à sua direção, como também é inteiramente desnecessária. O evangelho denuncia o hábito fatal de colocarmos as nossas esperanças em algo que virá a acontecer e afirma que tudo quanto ê necessário para os homens, individual e coletivamente, já foi posto à disposição da humanidade há quase dois mil anos. Pois, a mensagem central do evangelho para os homens é que tudo quanto é mister para a salvação deles se encontra na pessoa de Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus. O evangelho proclama que Cristo é a revelação plena e final de Deus. Em Cristo, em sua vida e em seus ensinamentos vemos aquilo que o homem deve ser e qual o tipo de vida que ele deve viver. Na morte de Cristo sobre a cruz, podemos ver o pecado do mundo finalmente desmascarado e condenado. Através de sua morte, vemos o único meio pelo qual o homem pode reconciliar-se com Deus. E exclusivamente dEle que podemos receber vida nova, obtendo um novo começo. Somente quando recebemos dEle o poder, então podemos viver aquela vida que Deus tencionou que vivêssemos.

De fato, o evangelho vai mais adiante e assegura-nos que Cristo está assentado à mão direita de Deus, em poder reinante, e que continuará a reinar até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. O evangelho proclama que chegará o tempo quando, ao nome de Jesus, se dobrará "todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra" (Fp. 2.10). Portanto, o evangelho de Jesus Cristo confronta o homem, exorta-o a arrepender-se dos seus pecados e a olhar para aquela Pessoa sem par, que esteve nesta terra há quase dois mil anos passados, a única em quem se pode achar a salvação.

No entanto, todos temos consciência de que a expiação operada por Cristo, conforme apresentada nas Escrituras, é altamente desagradável para a mente moderna. Não existe razão tão freqüentemente apresentada, como explicação para a rejeição do evangelho, quanto o fato de que ele é antiqüíssimo. Em geral, as pessoas deste século consideram que os crentes se acham nessa posição ou por serem lamentavelmente ignorantes ou, então, por se terem tornado retrógrados e se recusarem a enfrentar os fatos. 


Para o homem moderno, nada é tão ridículo como a sugestão de que tudo quanto ele precisa hoje em dia, é de algo que vem sendo continuamente oferecido à humanidade por quase dois mil anos. Na realidade, o homem moderno recebe como insulto a afirmação de que, apesar de todo o seu conhecimento, progresso e sofisticação, espiritualmente falando ele permanece precisamente na mesma condição na qual têm estado todos os homens, através da longa história da humanidade. Ele supõe que qualquer coisa que seja muito antiga não pode ser adequada para satisfazer as necessidades da situação moderna. Por esse motivo, a vasta maioria das pessoas nem ao menos pára, a fim de considerar o evangelho. Argumentam elas que algo tão antigo não pode ser relevante para os nossos dias.



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01 julho 2010

Pobre de espírito - Rico em Graça - Lloyd-Jones


O que significa «pobre de espírito» . . .? É o que disse Isaías (57.15): «Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificaro espírito dos abatidos, e vivi-ficar o coração dos contritos». É espírito dessa qualidade, e você encontra infindáveis ilustrações dele no Velho Testamento. Foi o espírito de um homem como Gideâo, .por exemplo, que, quando o Senhor enviou um anjo para comunicar-lhe os grandes feitos que lhe cabia realizar, disse: «Não, não, isso é impossível; eu pertenço à menor tribo e à família mais pobre da tribo». Não se tratava de um humilde fingido; era um. homem que de fato acreditava no que dizia e que se encolhia ante o simples pensamento de grandeza e honra, achando-o incrível.

Foi o espírito de Moisés, que se sentiu profundamente indigno da tarefa que lhe foi imposta e estava consciente de sua insuficiência e inadequabilidade. Este espírito se encontava em Davi, quando disse: «Senhor, quem sou eu para que viesses a mim?» Este fato era-lhe incrível, e o deixou espantado. O mesmo espírito se percebe em Isaías, exatamente do mesmo modo. Havendo tido uma visão, ele disse: «Sou homem de lábios impuros». É isso que se chama «ser pobre de espírito», e pode ser percebido através das páginas do Velho Testamento.

Vejamo-lo, porém, no Novo Testamento. Você o vê bem, por exemplo, num homem como o apóstolo Pedro, que de natural era agressivo, auto-afirmativo e auto-confiante — um típico homem moderno do mundo, transbordante dessa confiança e crendo em si mesmo. Mas, observe-o quando ele, de fato, vê o Senhor. Diz ele: «Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador». Observe-o mais tarde, como ele presta tributo ao apóstolo Paulo, em 2 Pedro 3.15,16. Mas. . . ele nunca deixou de ser arrojado; não se tornou vacilante e tímido . . . A personalidade essencial permanece; todavia, ao mesmo tempo, é «pobre de espírito».


Studies in the Sermon on the Mount, i, p 49,50.
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