30 outubro 2010

Um Evangelho honesto! – Lloyd-Jones


(A vida cristã) não é vida que no início seja lindamente ampla e que, à medida em que você prossegue, vá ficando cada vez mais estreita. Não! Já desde o portal, no próprio caminho de entrada a essa vida, há vereda estreita. . . Muitíssimas vezes têm-se a impressão de que ser cristão é, afinal, bem pouco diferente de não ser cristão, de que você não precisa pensar no cristianismo como uma vida estreita, mas como algo atraente, maravilhoso e emocionante, e de que entramos ali formando multidões. Isso não está de acordo com nosso Senhor. O Evangelho de Jesus Cristo é por demais honesto, para ficar dirigindo convites dessa natureza as pessoas. Ele não tenta persuadir-nos de que se trata de algo fácil, sendo que só mais tarde começaremos a descobrir quão difícil é realmente. O Evangelho de Jesus Cristo apresenta-se franca e incondicionalmente como algo que começa com uma entrada estreita, com uma porta estreita. . .


É-nos dito logo no início deste caminho da vida, antes de começarmos a marcha, que se queremos percorrê-lo há certas coisas que terão de ser deixadas de lado, para trás de nós. Não há espaço para elas passarem, porque temos que começar entrando por uma porta estreita e apertada. Gosto de imaginá-la como um torniquete. A porta é bem parecida com um torniquete que admite uma pessoa por vez, e somente uma. E é tão estreita que há certas coisas que você simplesmente não pode levar com você. Desde o começo o caminho é exclusivo, e importa que examinemos o Sermão da Montanha para vermos algumas coisas que é preciso deixar atrás.


A primeira coisa que deixamos para trás é o que se chama de mundanismo. Deixamos atrás a multidão, o modo de viver do mundo. . . O modo cristão de viver não goza de popularidade. . . Você não pode levar a multidão em sua companhia na carreira da vida cristã; esta, inevitavelmente, requer rompimento.


Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 220,1.
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27 outubro 2010

Antes de pedir – adore! – M. Lloyd-Jones


«Esta condição de ansiedade», diz Paulo, «é algo que em certo sentido está fora do seu controle, acontece sem a sua participação e apesar de você.» ... O coração e a mente estão fora do nosso controle. ... Aí «coração» não significa apenas sede das emoções; significa a parte verdadeiramente central da personalidade. «Mente» pode ser traduzido pelo termo «pensamento». ... O coração tem sentimentos e emoções. Se ura ente querido cai enfermo, como começa a trabalhar o coração! ... Não somente isso como também a imaginação! Que prolífera causa de ansiedade é a imaginação! ... Neste estado de ansiedade, passamos o tempo todo raciocinando, debatendo e correndo atrás de imaginações. E nesse estado somos inúteis. .., E assim, infelizmente, o nosso testemunho é vão. Não valemos nada para os outros e, sobretudo, perdemos o gozo do Senhor. ,..


Que havemos de fazer para evitar esse tumulto interior? . . . (Paulo) não diz: «Pare de afligir-se»... (pois isso) é inútil. Dá-se o caso de que também é má psicologia. . . . Do mesmo modo, a Bíblia não diz: «Não se aborreça; isso talvez jamais acontecerá» . . . quando me encontro nessas condições, minha reação é «Sim, mas pode acontecer»... todos esses métodos fracassam quanto ao enfrentar a minha situação porque nunca percebem o poder daquilo que Paulo chama «coração» e «mente» . . . (Paulo) aplica seu remédio na forma de uma injunção positiva. «Sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições» (Filipenses 4.6) ... e ele nos deu instruções específicas para o cumprimento do seu mandado. ... Primeiro nos recomenda orar. ... Esta é a palavra mais geral e significa adoração e culto. Se você tem problemas que parecem insolúveis, se você está sujeito a se tornar ansioso e sobrecarregado, e alguém lhe diz que ore, não corra a Deus com sua petição. ... Antes de tornar conhecidas as suas petições diante de Deus, ore, cultue, adore. Entre na presença de Deus e por algum tempo esqueça os seus problemas. Não comece com eles. Trate de dar-se conta de que você está face a face com Deus.   

Spiritual Depression, p. 264-7.
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25 outubro 2010

O Poder é dado na Ordem – Martyn Lloyd-Jones


Consta em três dos Evangelhos o caso do homem de mão mirrada. O nosso Senhor o encontrou num sábado, e obviamente Sua intenção era curá-lo. Os fariseus estavam presentes, e começaram a argumentar com o nosso Senhor sobre se era certo curar alguém no sábado (Mateus 12:9-14). O ponto substancial da história é que, tendo o nosso Senhor respondido aos fariseus e às suas estultas objeções, disse ao homem: "Estende a tua mão". Pois bem, aí está de novo o dilema; lá estava um homem com uma das mãos mirrada, paralisada; possivelmente a mão nunca tivera desenvolvimento. Essa mão era inútil, o homem não podia fazer coisa alguma com ela. Em parte devido à falta de uso e desenvolvimento, os músculos eram flácidos, encolhidos e fracos, sem energia e sem força. Todavia o Senhor disse àquele homem: "Estende a tua mão". E o que lemos é que "ele a estendeu, e ficou sã como a outra". A grande maravilha desta história é que, quando o nosso Senhor disse ao homem, "Estende a tua mão", à ordem do Senhor ele o fez.

É evidente que o homem teve que fazer esforço. O que o homem fez não foi dizer: "Bem, sim, a minha mão está mirrada, mas eu creio que todas as coisas são possíveis a Ti, e que podes curar e restaurar minha mão. Eu creio que Tu podes fazê-lo" e, de repente, assim que ele expressou a sua fé, a sua mão se estendeu. Não foi assim. O homem não viu a sua mão subitamente estender-se de um salto; isso não foi feito por outrem no lugar dele. O ponto vital é que, ao homem que não podia fazê-lo, o nosso Senhor disse: "Estende a tua mão", e quando Ele falou, foi dado poder ao homem. Assim, quando ele fez o esforço, para seu espanto e admiração, ele viu, pela primeira vez, que podia estender a mão. Os dois elementos são absolutamente necessários; e, quando vocês estudarem os milagres, verão que na maioria deles estes dois elementos estão presentes. O nosso Senhor sempre encarregava a pessoa de alguma ação. No caso da mulher que tinha espírito de enfermidade e andava curvada, por exemplo, bastou o Senhor ordenar-lhe que se endireitasse para que imediatamente ela se endireitasse. E assim com os demais; o coxo, o paralítico: "Levanta-te, toma a tua cama, e anda". Parecia algo monstruoso, o homem não tinha poder. Certo, mas o poder foi dado na ordem; e quando ele fez esforço, subitamente viu que podia fazê-lo. "Fortalecei--vos no Senhor e na força do seu poder"; vocês nunca conhecerão isto, enquanto não o praticarem.

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20 outubro 2010

O Evangelho completo - para o homem completo – Lloyd-Jones


Precisamos ter a mensagem integral ... «anunciar todo o desígnio de Deus» (Atos 20.27). ... Principia com a Lei. A Lei de Deus ... as exigências de um Deus santo, a ira de Deus. Esse é o modo de levar homens e mulheres à convicção; não é modificando a Verdade. ... Devemos confrontá-los com o fato de que são seres humanos, de que são seres humanos falíveis, de que estão sujeitos à morte, de que são pecadores, e de que todos terão de comparecer perante Deus, levados ao Tribunal do Juízo Eterno...

Depois devemos apresentar-lhes a ampla e completa doutrina da graça de Deus para a salvação em Jesus Cristo. Devemos demonstrar que ninguém é salvo «pelas obras da Lei», por sua bondade ou retidão pessoal, nem por ser membro de igreja nem por nenhuma outra coisa senão unicamente, totalmente, inteiramente pelo livre dom de Deus em Jesus Cristo, Seu Filho. ... Devemos pregar a doutrina em sua completa amplitude, sem deixar nada — a convicção de pecado, a realidade do Juízo e do inferno, a livre graça, a justificação, a santificação, a glorificação.

Devemos também mostrar que há uma perspectiva mundial na Bíblia ... que somente ali você pode compreender a história - passada, presente e futura. Exibamos essa grande visão mundial, e o propósito do Deus eterno...

Ao mesmo tempo, tenhamos bastante cuidado no sentido de que a estamos dando ao homem completo. ... o Evangelho não é só para o coração do homem; cuide de começar pela cabeça dele, apresentando-lhe a Verdade. ... Mostremos que se trata de uma grandiosa mensagem dada por Deus, que nos compete comunicar à mente, ao coração, à vontade. Há sempre o perigo de deixar de lado uma ou outra parte da personalidade humana. ... estejamos certos de que nos dirigimos ao homem todo - sua mente, suas emoções e sua vontade.

The Weaporsofour Warfare, p. 21,2.
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18 outubro 2010

O desafio da perfeição – M. Lloyd-Jones


Tudo quanto fazemos neste mundo é de tremenda significação, e não podemos dar-nos o luxo de supor que não há risco. . . nosso Senhor. . . parte da questão relativa ao julgamento feito acerca de outras pessoas. Devemos ser cuida¬dosos quanto a isso, porque nós mesmos estamos sujeitos a juízo. Mas por que, então, nosso Senhor faz esta promessa, nos versículos 7-11 (de Mateus 7), nesse ponto? Por certo é esta a resposta: Nos versículos 1 a 6, Ele nos mostra o perigo de condenar a outrem, como se fôssemos nós os juízes, e de abrigar amargura e ódio no coração. Ele também nos manda tirar a trave do nosso olho, «antes de querer extrair o argueiro do olho do nosso irmão.

O efeito disso tudo, em nós, é revelar-nos a nós mesmos e mostrar-nos quão terrivelmente necessitamos da graça. . . ficamos humilhados e nos pomos a indagar: «Quem é suficiente para estas coisas? Como terei possibilidade de viver à altura de tal padrão?» . . .damo-nos conta de quão indignos e pecadores somos. E o resultado disso é que nos sentimos totalmente sem esperança nem socorro. Dizemos: «Como podemos viver segundo o Sermão da Montanha? Como pode alguém elevar-se ao nível de tal padrão? Precisamos de socorro e de graça. Onde obtê-los?» Eis a resposta: «Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á».

Essa é a conexão entre os dois trechos, e devemos dar graças a Deus por ela, porque, estando face a face com este glorioso Evangelho, temos de sentir-nos arruinados e indignos. Os insensatos que pensam no cristianismo somente em termos daquela pouca moralidade que eles mesmos podem produzir, nunca chegam a ver o que é o cristianismo. O padrão pelo qual somos confrontados é aquele que encontramos no Sermão da Montanha. Esse padrão esmaga a todos nós até ao chão, e somos levados a compreender nossa incapacidade e nossa desesperada necessidade de graça. Aí está a resposta; a solução nos está sendo oferecida. No versículo oitavo o Senhor repete a Sua oferta.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 198,9-
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14 outubro 2010

Os dois mundos – Lloyd-Jones


... o cristão e o não-cristão pertencem a dois domínios inteiramente diversos. . . a primeira coisa que você deve entender sobre si mesmo é que você pertence a um reino diferente. Você não difere apenas na essência; você vive. em dois mundos que diferem de modo absoluto entre si. Você está neste mundo; não pertence a ele, porém. . . você é cidadão doutro reino. . .

Que se quer dizer com este reino dos céus?... Significa, em sua essência, o governo de Cristo, ou a esfera e domínio em que Ele reina. . . Muitas vezes, quando Ele estava aqui, nos dias de Sua carne, nosso Senhor disse que o reino dos céus já estava presente. Onde quer que Ele estivesse presente e exercesse autoridade, ali estava o reino dos céus. Você recorda como, em certa ocasião, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Ele demonstrou-lhes a completa loucura disso, e prosseguiu, dizendo: «Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós» (Mateus 12.28).

Eis o reino de Deus. Sua autoridade e Seu reinado estavam presentes na prática. Eis, então, Sua frase, quando disse aos fariseus:«0 reino de Deus está dentro em vós», ou, «o reino de Deus está entre vós». Era como se dissesse: «Ele está-se manifestando no meio de vós. Não digais: olhe para cá, ou: olhe para lá. Despojai-vos dessa noção materialista. Aqui estou entre vós; estou realizando obras. O reino está aqui». Onde quer que o reino de Cristo esteja sendo manifestado, ali está o reino de Deus. E quando Ele enviou Seus discípulos para pregar, disse-lhes que falassem às cidades que não os recebessem: «Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus» (Lucas 10.11).

Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 39,40
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13 outubro 2010

Todo Conselho de Deus – Martyn Lloyd-Jones


Isto significa que tomamos todo o corpo de doutrina cristã; não nos concentramos em partes particulares dela. Não é de admirar que a Igreja Cristã esteja como está, formando movimentos para salientar unicamente uma doutrina. Essa é uma parte crucial de todo o nosso problema atual. Temos que assumir a doutrina completa. O apóstolo Paulo se refere a isto em suas últimas palavras aos presbíteros desta igreja de Éfeso, palavras registradas em Atos, capítulo 20. Ele estava viajando para Jerusalém, e os presbíteros de Éfeso desceram a Mileto para encontrar-se com ele. O apóstolo teve a alegria e a satisfação de poder dizer que lhes tinha anunciado "todo o conselho de Deus". Não havia nada que ele deixasse sem dizer. Semelhantemente, não há parte alguma da doutrina cristã que eu e vocês possamos dar-nos ao luxo de ignorar. Devemos estudar todas as partes das Escrituras; e é bom ler a B íblia inteira uma vez por ano. Não deixem nada fora, leiam a história, leiam tudo. Tomem cada parte e parcela da doutrina. Não parem na evangelização, não parem na justifi¬cação, não se detenham na santificação; estudem a glorificação, estudem a profecia, tomem toda a doutrina. Nada causa tanta fraqueza e tanto fracasso na Igreja Cristã como o nosso erro de não nos revestirmos de "toda a armadura de Deus".

Também é necessário acentuar que todas as partes do seu ser devem estar envolvidas nesta vida cristã. A sua mente, por exemplo, precisado "capacete da salvação". Nunca negligenciem a sua mente nestas questões. A idéia de que o cristianismo é apenas uma forma de emocionalismo ou de sentimentalismo - como o mundo está constante¬mente sugerindo-é totalmente errada; e se nós estamos dando ao mundo ocasião de pensar e falar assim de nós, somos muito pobres soldados do exército cristão.

Mas não se detenham na mente. O coração precisa de proteção de igual maneira. Certas pessoas são muito cuidadosas na proteção da mente; são versadas em teologia, erros e heresias; porém se descuidam do coração, e o resultado é que muitas vezes são feridas e derrotadas. Caem à beira do caminho por negligenciarem este órgão vital.

Igualmente com relação à vontade. O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, fala em conservar "a fé, a boa consciência, rejeitando a qual alguns fizeram naufrágio nafé"(l Timóteo 1:19). Eles estavam dando atenção ao aspecto intelectual da fé, todavia não estavam "mantendo boa . nsciência"; estavam negligenciando a vontade e o aspecto prático. O resultado, diz Paulo, foi que eles "fizeram naufrágio" em sua fé e em suas vidas. "Tomai toda a armadura de Deus", todas as suas partes e cada uma delas, a fim de que cada parte da personalidade esteja coberta e protegida. Não há nada que nos cause tanto regozijo na v ida cristã como o fato de que ela afeta o homem completo. Nenhuma outra coisa faz isso. Vocês podem ter sociedades intelectuais no mundo; entretanto, elas são frias e sem coração. Existem interesses emocionais, sentimentais no mundo; mas não têm nada para a mente. Outros se concentram na ética, porém não têm entendimento espiritual, e não têm conforto e consolação para oferecer-nos. No entanto, o ensino bíblico toma o homem todo e governa a personalidade inteira. "Toda a armadura de Deus"!

Mas, tendo salientado isso, observem como, ao mesmo tempo, o apóstolo tem todo o cuidado de tratar minuciosamente das diversas peças. "Toda" inclui cada uma das peças. Nunca negligenciem os detalhes. Não deixem parte alguma da alma sem proteção - "Com oração veste cada peça".

Não deixe de pôr toda a armadura; Com oração veste cada peça.

Que perfeito equilíbrio há aqui, como sempre há nas Escrituras, no ensino da Palavra de Deus!

Esse é o equilíbrio que devemos demonstrar neste combate espiritual, nesta guerra cristã. Como o inimigo ainda está à espera e nos vigia com toda a sua astúcia, com todo o seu engenho, com todo o seu poder, há somente um modo de resistir. "Fortalecei-vos no Senhor e na forçado seu poder." Revista-se de toda a armadura que Deus providenciou para você. Vista-a, peça por peça. Não deixe nenhum lugar desprotegido em sua alma, mas faça uso do equipamento completo que Deus, em Sua graça infinita, providenciou para você, no Senhor Jesus Cristo e em Sua grande e gloriosa salvação.

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11 outubro 2010

A obra prima de Satanás – Martyn Lloyd-Jones


É justamente aqui que o diabo causa confusão. Para ele é conveniente que as pessoas se preocupem com a santificação, a santidade e várias outras coisas, mas elas nunca estarão certas enquanto não estiverem certas neste ponto, razão por que devemos começar estudando esta. . . grande doutrina (da justificação). Esta confusão é problema antigo. Em certo sentido é a obra prima de Satanás. Ele até nos anima a tratarmos de ser virtuosos, ao mesmo tempo que nos mantém confusos neste ponto.

Uma coisa que deixa claro que ele está fazendo isso nos dias atuais é que muitas pessoas, na igreja, parecem considerar os homens como cristãos simplesmente porque estes fazem boas obras, ainda quando estejam completamente errados quanto a esta verdade preliminar. . . Era. o que Jesus estava dizendo continuamente aos fariseus, e certamente essa foi a principal dissensão que Paulo tinha com os judeus. Estes laboravam em completo erro quanto a toda a questão da Lei, e o principal problema era mostrar-lhes o modo certo de considerá-la.

Os judeus criam que a Lei fora feita por Deus a fim de que o homem pudesse salvar-se mediante sua observância. Diziam que tudo o que se tem que fazer é cumprir a Lei. . . e que se você vivesse de acordo com a Lei, Deus o aceitaria e você seria agradável à Sua vista. E acreditavam que podiam fazer isso, porque jamais tinham entendido a Lei. Eles a interpretavam à sua maneira, fazendo dela uma coisa que estava ao alcance deles. Deste modo, achavam que tudo estava bem. Esse é o retrato dos fariseus, dado pelos evangelhos e pelo Novo Testamento em geral. . . e ainda constitui a essência do problema de muita gente. Temos que perceber que há certas coisas que devem ficar perfeitamente claras para nós antes que nos seja, de fato, possível esperar ter paz e desfrutar a vida cristã.

Spiritual Depression, p. 26,7
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09 outubro 2010

Uma luz no crepúsculo – Lloyd-Jones


Nada há tão desesperador no mundo. . . como a bancarrota da perspectiva não-cristã da vida. . . Charles Darwin ... no fim da vida confessou que o resultado de haver concentrado sua atenção em um único aspecto da vida foi que perdeu a capacidade de apreciar a poesia e a música, e, em grande medida, perdeu até a capacidade de apreciar a natu¬reza. Pobre Darwin. . . O fim de H. G. Wells foi bem parecido. Ele, que havia dado tanto valor à mente e ao entendimento humano, e que havia ridicularizado o cristianismo com suas doutrinas do pecado e da salvação, no final da vida confessou-se frustrado e confuso. O próprio título de seu último livro — Mind at the End of its Tether (Mente Sem Mais Recursos) — dá eloqüente testemunho em prol do ensino bíblico sobre a tragédia que caracteriza o fim dos ímpios. Ou considere a frase da autobiografia de um racionalista como o dr. Marret, que foi diretor de uma faculdade, em Oxford... «Para mim, porém, a guerra pôs repentino fim ao longo verão de minha vida. Daí em diante, não tenho mais nada para ver pela frente senão o frio outono e o inverno mais frio ainda, e, contudo, devo esforçar-me de algum modo para não perder o ânimo». A morte dos ímpios é coisa terrível. Leia as biografias deles. Passam os seus dias de esplendor. . . Não têm diante de si nenhuma expectativa bem-aventurada, e, à semelhança do que ocorreu ao falecido Lord Simon, procuram alento revivendo seus idos sucessos e triunfos. . .

No Livro de Provérbios lemos que «o caminho dos perversos é como a escuridão». «Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito» (Provérbios 4.19,18). Que glória! . . .ouça então ao apóstolo Paulo (2 Timóteo 4.6-8). . . Uma das mais soberbas apologias feitas por João Wesley, dos seus primeiros metodistas, era esta: «Nossa gente morre bem» ... A Bíblia, em toda parte, nos exorta a que ponderemos sobre o nosso «derradeiro fim» . . . Renda-se a Cristo e confie nEle e no Seu poder. . . E o fim será glorioso.

Faith on Trial, p. 51-3.
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08 outubro 2010

Deus o sabe; Deus o faz – Lloyd-Jones


Não podemos fazer melhor que recordar a nós mesmos . . . a fé que moveu o povo de Deus através dos séculos. Essa é a fé e o ensino que se pode achar, por exemplo, nos hinos de Philip Doddridge. E típico este seu grandioso hino:

Deus de Betel,
por cuja mão ainda sustento dás;
nesta árdua peregrinação
levaste nossos pais.

Essa é a sua forte argumentação, com base última na soberania de Deus, que Deus é o Governador do universo, que Ele nos conhece um por um, e que mantemos relacionamento pessoal com Ele. Esta foi a crença de todos os heróis da fé, descritos em Hebreus 11. Isso foi o que fez com que aquela gente prosseguisse. Com bastante freqüência eles não compreendiam (o que ocorria), mas diziam: «Deus o sabe. e Deus cuida disso». Possuíam esta confiança final em que Aquele que os trouxera à existência, e que tinha um propósito para eles. não os deixaria nem os desampararia. Ele certamente os sustentaria e os guiaria ao longo da jornada inteira, até que se completasse o propósito deles neste mundo e Ele os recebesse em Sua morada celestial, onde passariam a eternidade em Sua presença gloriosa. «Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir.

Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes?» Proceda a argumentação, parte dos primeiros princípios e faça a dedução inevitável. Assim que você fizer isso, os cuidados, as aflições e a ansiedade se desvanecerão, e, como filho do nosso Pai celeste, você caminhará com serenidade e paz, rumo ao lar eterno.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 116.
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06 outubro 2010

Não Dissipe Energia – M. Lloyd-Jones


Isso é particularmente verdadeiro na esfera espiritual. Há muitos que, com muitas boas intenções, e achando que têm que estar fazendo algo para justificar o seu cristianismo, muitas vezes entram nesse estado porque temem as críticas dos adeptos do tal ensino atualmente popular. Muitos cristãos, por seu medo dos verbosos clichês que estão sendo tão usados, acham que devem estar sempre fazendo alguma coisa.

Este é um problema deveras real. Alguns profissionais, cristãos, saem quase todas as noites da semana para reuniões. Isso é errado até do ponto de vista da vida familiar; mas não é o que me preocupa neste momento. Estou preocupado com o perigo que eles próprios estão correndo. Eles se vêem exauridos, enfim, sem mais nada que possam dar; ficam apenas fazendo algo mecanicamente, algo de bem pouco valor. Digo que a culpa deles é a "dissipação de energia", o "desperdício de energia"-atividade destituída de inteligência.

Todo homem tem que sentar-se e planejar sua vida; tem que decidir o que ele pode e o que não pode fazer. Deve ser resoluto, e não se deixar governar pelo "que o povo diz". É ele que está na melhor posição para saber o quanto ele pode fazer, quando fazê-lo e onde fazê-lo. Nunca permitam que outros lhes ditem o que fazer. Não permitam que "o que há para fazer", em toda e qualquer esfera, determine o que vocês irão fazer. Devemos encarregar-nos de nós próprios, ou, doutro modo, ficaremos cansados, aborrecidos e exaustos simplesmente por dissiparmos, por jogarmos fora, a nossa energia.

Há outras maneiras pelas quais o mesmo erro vem à superfície. Acaso não constitui um perigo o fato de que alguns de nós desperdiçam bastante energia simplesmente falando demais? Falamos tanto que nunca paramos para pensar ou meditar. A maioria de nós fala demais, e assim desperdiça muita energia. Uma conversa muito longa pode levar à exaustão. O falatório pode levar muitos a terem problemas espirituais. Temos que aprender a seguir a exortação das Escrituras: "Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tiago 1:19). Certifiquemo-nos de que não vamos passar a vida toda falando, sem realmente nunca pensar na verdade e sem entendê-la, com isso deixando de crescer na graça e no conhecimento. Temos que disciplinar-nos a nós mesmos nesta questão.

Também se pode dissipar energia meramente argumentando, disputando e brigando. Muitas advertências nos são feitas nas Escrituras concernentes a isso. Vejam 1 Timóteo 1:4: "Nem se dêem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé". E no versículo 6:"... desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas", isto é, passavam a vida discutindo e brigando. Vamos ainda à Segunda Epístola a Timóteo, capítulo 2, onde há bom número de referências a essas questões. Vejam o versículo 14: "Traze estas coisas à memória, ordenando-lhes diante do Senhor que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam e são para perversão dos ouvintes". Eles davam a impressão de que eram muito inteligentes; argumentavam, debatiam. Mas não havia proveito em sua conversa. Por mais que você se incline a argumentar sobre a verdade, se não estiver crescendo espiritualmente como resultado disso, diminua isso; talvez, por algum tempo, seria melhor você cortar isso totalmente e começar a examinar a sua alma. "Nada aproveitam e são para perversão dos ouvintes." Também no versículo 16: "Evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade". Observe bem o resultado desse tipo de coisa. Versículo 23: "Rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas". Ainda em Tito 3:9: "Mas não entres em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs". A prova de tudo sempre deve ser se é proveitoso - proveitoso para as nossas almas, proveitoso para as almas doutras pessoas. Há muita dissipação de energia, puro desperdício de energia, em disputas e contendas que não têm utilidade. Se você não estiver crescendo em conseqüência da sua atividade nesse aspecto, será melhor começar a examinar-se de novo. Se você tem tanto conhecimento, deveria estar mostrando isso em sua vida. "Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus." Sim, "E qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade" (2 Timóteo 2:19). Conhecimento, batalhar pela fé e crescimento na graça, sempre devem andar juntos.
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04 outubro 2010

Nosso Companheiro de viagem – M. Lloyd-Jones


Não posso imaginar melhor, mais animadora e mais consoladora afirmação, com a qual enfrentar todas as incertezas e todos os riscos da nossa vida neste mundo limitado pelo tempo, do que a contida em Mateus 7, versículos 7-11. É uma daquelas promessas compreensivas e plenas de graça que só se encontram na Bíblia. . . esta é a promessa que nos alcança: «Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á» . . . Não há dúvida sobre ela; é certa; é uma promessa absoluta. . . feita pessoalmente pelo Filho de Deus, falando com toda a plenitude e autoridade do Pai.

De começo a fim a Bíblia nos ensina que essa é a única coisa que importa na vida. . . ela salienta que o que realmente importa na vida não é tanto a variedade de acontecimentos que nos sobrevêm. . . mas a nossa disposição para enfrentá-las. Em seu conjunto geral, o ensino bíblico quanto a como devemos viver é resumido naquele homem particular, que foi Abraão, de quem se nos diz: «Saiu, sem saber para onde ia». Não obstante, sentia-se perfeitamente feliz, em paz e repouso. Não tinha medo. Por que? Um velho puritano, que viveu há trezentos anos, responde por nós a pergunta: «Abraão saiu sem saber para onde ia; mas sabia com quem ia». É o que importa. . .

Não estava só; tinha junto de si Aquele que lhe dissera que nunca o deixaria nem o desampararia. E, embora não tivesse certeza quantos aos eventos que haveriam de vir a seu encontro, e quanto aos problemas que surgiriam, sentia-se perfeitamente feliz, porque sabia quem era seu Companheiro de viagem. O Senhor não promete mudar a vida para nós; não promete remover as dificuldades, problemas e tribulações; não afirma que extrairá todos os espinhos e deixar as rosas com seu inebriante perfume. Não. Ele encara a vida realisticamente, e nos adverte de que estamos sujeitos a essas coisas. Garante-nos, porém, que podemos conhecê-lo de tal modo que, haja o que houver, jamais precisaremos afligir-nos, nem ficar alarmados.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 195,6.
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01 outubro 2010

O escândalo da Cruz – Martyn Lloyd-Jones


Houve tempo em que era verdade dizer que as multidões. . . reconheciam a veracidade do Evangelho. . . mas deixavam de pô-lo em prática. Pode ser que foram além e se opuseram às suas exigências morais e éticas mais estritas. Mas assim mesmo lhe estavam pagando tributo e erguendo barricadas de defesa para o pecado e a fraqueza delas mesmas. Naqueles dias o Evangelho era reconhecido como algo que apresenta o melhor modo de vida. . .

Essa foi a situação outrora. Já não é assim, porém. . . a atitude geral para com o Evangelho mudou completamente. . . hoje ele está sofrendo ativos ataques e oposição. Na verdade, chegamos a um estágio ulterior àquele; ele está sendo ridicularizado e menosprezado. A pretensão, hoje em dia, é que o Evangelho é uma coisa que nenhuma pessoa instruída e razoável pode aceitar ou crer. É posto na categoria de folclore e superstição. . . Tudo isso pode ser provado, contesta-se, pelo avanço do saber, pelo resultado dos descobrimentos científicos, e pela luz que a psicologia lançou sobre a natureza humana e seu estranho comportamento. Certos aspectos do ensino moral do Evangelho são aceitos e elogiados, havendo, contudo, quem rejeite até isso, mas, quanto às reivindicações centrais do Evangelho . . .todas estas coisas são rejeitadas com desdém e sarcasmo.

Segundo o homem moderno, a salvação deve ser buscada no pleno uso das capacidades e poderes humanos que podem ser exercitados pelo saber e pela educação. O homem deve salvar-se a si próprio; o homem pode salvar-se a si próprio. . . E se alguém se aventura. . . a dizer que o Evangelho é a única esperança da humanidade. . . aos berros lhe dirão que ele é lunático ou doido.

Todavia, é precisa e exatamente isso que afirmamos hoje, como Paulo o fez há tanto tempo. . . Não hesitamos em proclamar que a única esperança dos homens está em crer no Evangelho de Cristo.

The Plight of Man and the Power of God, p. 76-9-
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