28 janeiro 2011

Não seja Pedra de Tropeço - M. Lloyd-Jones


Tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão. (Romanos 14.13)



Diz-nos (o salmista, no Salmo 73.15) que ele ainda não via com clareza nem podia compreender a dificuldade que o sacudira e tentara tão duramente. . . Portanto, ele parou de procurar resolvê-la, dizendo-se a si mesmo: «Bem, é melhor dar tempo ao tempo, quanto a este grave problema. Nada direi sobre ele porque posso perceber que se eu exprimir meus pensamentos, serei levado a ofender a geração do povo de Deus. Não posso fazer isso. Muito bem; tomarei posição sobre aquilo de que tenho certeza, e me darei por satisfeito em não entender o demais, por ora».

Que método simples é o dele, e, contudo, quão vital cada um dos seus passos. . . nosso falar deve ser sempre essen­cialmente positivo. Quero dizer com isso que jamais devemos estar demasiado prontos para expressar nossas dúvidas e para proclamar nossas incertezas. . .


Lembro-me de um rapaz que me procurou há anos. Era um estudante que fora para a faculdade com a vida fundada na fé cristã e crendo no Evan­gelho. Um professor daquela escola, orgulhoso de sua incre­dulidade, nada tendo de positivo para dar àquele jovem, pôs-se a ridicularizá-lo e à sua posição, não só em suas preleções, mas também em particular, zombando de todas as suas crenças e escarnecendo de sua fé. Acabou lançando o moço a uma condição deveras aflitiva e infeliz.


Não existem muitas coisas piores do que a atitude de um professor desses que, não tendo nada por que viver, empenha-se em tirar e destruir a fé do coração de um jovem, falando contra essa fé e procurando miná-la. É claro que aquele foi um ataque mali­cioso e intencional. . . Mas nós, igualmente, podemos ser cul­pados da mesma coisa, embora talvez não nos apercebamos disso. Ainda quando formos assaltados por dúvidas e incer­tezas, não devemos proclamar as nossas dúvidas e nem divulgar as nossas incertezas. . . Se não podemos dizer algo que ajude, devemos ficar calados. Foi isso que fez o salmista.

Faith on Trial, p. 27,8.
Read More

25 janeiro 2011

Um Evangelho honesto! – M. Lloyd-Jones

(A vida cristã) não é vida que no início seja lindamente ampla e que, à medida em que você prossegue, vá ficando cada ve2 mais estreita. Não! Já desde o portal, no próprio caminho de entrada a essa vida, há vereda estreita. . . Muitíssimas vezes têm-se a impressão de que ser cristão é, afinal, bem pouco diferente de não ser cristão, de que você não precisa pensar no cristianismo como uma vida estreita, mas como algo atraente, maravilhoso e emocionante, e de que entramos ali formando multidões. Isso não está de acordo com nosso Senhor.

O Evangelho de Jesus Cristo é por demais honesto, para ficar dirigindo convites dessa natureza às pessoas. Ele não tenta persuadir-nos de que se trata de algo fácil, sendo que só mais tarde começaremos a descobrir quão difícil é realmente. O Evangelho de Jesus Cristo apresenta-se franca e incondicio¬nalmente como algo que começa com uma entrada estreita, com uma porta estreita. . .

É-nos dito logo no início deste caminho da vida, antes de começarmos a marcha, que se queremos percorrê-lo há certas coisas que terão de ser deixadas de lado, para trás de nós. Não há espaço para elas passarem, porque temos que começar entrando por uma porta estreita e apertada. Gosto de imaginá-la como um torniquete.

A porta é bem parecida com um torniquete que admite uma pessoa por vez, e somente uma. E é tão estreita que há certas coisas que você simplesmente não pode levar com você. Desde o começo o caminho é exclusivo, e importa que examinemos o Sermão da Montanha para vermos algumas coisas que é preciso deixar atrás.

A primeira coisa que deixamos para trás é o que se chama de mundanismo. Deixamos atrás a multidão, o modo de viver do mundo. . . O modo cristão de viver não goza de popularidade. . . Você não pode levar a multidão em sua companhia na carreira da vida cristã; esta, inevitavelmente, requer rompimento.


Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 220,1.
Read More

24 janeiro 2011

Levando a sério o Evangelho – M. Lloyd-Jones


Não podemos dizer, verdadeiramente, de muitos de nós que, no terreno da prática concreta, nosso conceito da doutrina da graça é tal que raramente chegamos a encarar com seriedade o claro ensino do Senhor Jesus Cristo? Temos dado tanta ênfase ao ensino de que tudo ê de graça e que não é mister procurarmos seguir o Seu exemplo, a fim de nos _tornarmos cristãos, que virtualmente nos colocamos na posição de ignorar totalmente o Seu ensino e de dizer que este nada tem a ver conosco, porquanto estamos sob a Sua graça.

Agora indago até que ponto levamos a sério o Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A melhor maneira de focalizar essa questão é, creio eu, encarar o Sermão da Montanha. Qual é, pergunto, nosso conceito desse sermão? Pensando nisso, sugiro que escrevamos num papel nossas respostas às seguintes indagações:

Que significa para nós o Sermão da Montanha? Onde entra ele em nossas vidas, e qual o lugar que ocupa em nosso pensamento e em nossa perspectiva?

Qual é nossa relação com esse extraordinário sermão, que ocupa tão proeminente posição nesses três capítulos do Evangelho segundo Mateus?

Acredito que você descobriria que o resultado é muito interessante e quiçá mui surpreendente. Oh, sim, sabemos tudo sobre a doutrina da graça e do perdão, e estamos olhando para Cristo. Mas eis que nestes documentos, que apregoamos como revestidos de autoridade, está este sermão. Em que ponto entra ele em nosso esquema?

Studies in the Sermon on The Mount, i, p. 12,13.
Read More

21 janeiro 2011

Na Presença de Deus – M. Lloyd-Jones


- Quando acordo, ainda estou contigo -

Sempre estamos na presença de Deus. Sempre estamos sob o Seu olhar. Ele vê cada uma de nossas ações e mesmo cada um dos nossos pensamentos. . . Ele está em toda parte . . . Ele vê tudo. Ele conhece o seu coração; os outros não o conhecem assim. Você pode enganar a eles e pode persuadi-los de que você não é nem um pouco egocêntrico; mas Deus conhece o seu coração. . .

Quando despertamos pela manhã, imediatamente devemos lembrar e meditar que estamos na presença de Deus. Seria boa idéia dizer a nós mesmos, antes de sair: «Durante este dia inteiro, tudo o que eu fizer, disser, experimentar, pensar e imaginar estará sob os olhos de Deus. Ele estará comigo; Ele vê tudo; Ele sabe todas as coisas. Não há nada que eu possa fazer ou procurar fazer de que Deus não esteja ciente de modo pleno e total. «Tu, ó Deus, me vês».

Nossa vida sofreria verdadeira revolução se agíssemos sempre assim. . . os numerosos livros que tratam da vida de devoção se concentram todos nesse ponto. . . Esta é uma verdade fundamental, a mais séria de todas — que estamos sempre na presença de Deus. Ele vê todas as coisas e conhece-as a todas, e jamais nos podemos furtar da Sua vista (ver o Salmo 139) ... Se tão-somente nos lembrássemos disto, a hipocrisia se desvaneceria, a bajulação de nós mesmos, e tudo quanto fazemos de pecaminoso, por acharmos que somos superiores aos outros, desapareceria de imediato. . .

Se todos nós adotássemos aquela prática, ela seria revolucionária. Tenho toda a certeza de que teria início um reavivamento para valer. Que diferença faria na vida da igreja e na vida de cada indivíduo! Pensemos em tudo que é pretensão e fingimento, em tudo que é indigno em todos nós! Se tão-so¬mente nos déssemos conta de que Deus está olhando para todos, e tem ciência de tudo isso, e de que tudo anota!. . . a pessoa que começa tendo verdadeira percepção dessa realidade, logo será vista ir correndo para Cristo e Sua cruz, rogando que Deus a encha do Espírito Santo.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 15,16.
Read More

19 janeiro 2011

Brilhe vossa Luz!! – M. Lloyd-Jones


Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

A vida cristã é sempre uma questão de balança e equilíbrio. É vida que dá a impressão de ser autocontraditória. . . Lendo o Sermão do Monte, nos deparamos com algo desta sorte: «Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus». Lemos depois: «Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai celeste». Ao ver isto, alguém pode dizer: «Bem, que hei de fazer? Se devo fazer todas essas coisas em segredo. . . como saberão os outros que as faço, e como será possível que verão a luz que brilha em mim?»

Mas, naturalmente, isso não passa de contradição superficial. . . somos chamados para praticar ambas as coisas simultaneamente. O cristão deve viver de tal modo que os homens, olhando para ele e vendo a qualidade da sua vida, glorificarão a Deus. Ao mesmo tempo, ele precisa lembrar que não deve fazer as coisas a fim de atrair a atenção para si próprio. Não deve alimentar o desejo de ser visto pelos homens; nunca deve preocupar-se consigo mesmo. Mas, é claro, esse equilíbrio é fino e delicado; com demasiada freqüência tendemos a ir para um extremo ou outro. . . Mas aqui somos chamados a evitar ambos os extremos. É vida delicada, é vida sensível, mas se nossa abordagem for feita de maneira correta, e sob a orientação do Espírito Santo, o equilíbrio poderá ser man¬tido. . Nunca olvidemos isto: o cristão deve, ao mesmo tempo, estar atraindo atenção sobre si e, contudo, não atrair atenção para si.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 12,13.
Read More

18 janeiro 2011

A Autoridade de Jesus Cristo. – M. Lloyd-Jones

Os evangelhos foram escritos com um definido e deliberado objetivo em vista. Não foram escritos apenas como registros ou meras coletâneas de fatos. Não. . . Todos eles apre¬sentam o Senhor Jesus Cristo como o Senhor, como Autoridade final.

A mensagem de João Batista era essencialmente idêntica. Ei-lo sozinho, depois de pregar e de batizar o povo no Jordão. . . o povo diz: «Certamente este há de ser o Cristo. Nunca antes ouvimos pregação como esta. Por certo este deve ser o Messias que aguardamos. João se volta para eles... e diz : «Eu não sou o Cristo» ...(Lucas 3.16-18). «Eu sou o precusor, o arauto. Ele é a Autoridade. Ele ainda está por vir.» Como os Evangelhos são cuidadosos quanto a levar avante essa reivindicação!

Há algo mais. . . É o relato que os Evangelhos dão do que aconteceu por ocasião do batismo de nosso Senhor. Ali Ele se submete ao batismo ministrado por João. . . Mas. ... o Espírito Santo desce sobre Ele, como pomba. Mais impor¬tante ainda é aquela Voz. . . «Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo» (Mateus 3.17). ..No Monte da Transfiguração é empregada uma linguagem parecida, mas há um acréscimo da maior significação e importância. . . «. . .a ele ouvi» (Mateus 17.5). . . «Este é Aquele a quem deveis ouvir.

Estais aguardando uma palavra. Estais esperando resposta às vossas perguntas. Estais procurando solução para os vossos problemas. Haveis consultado os filósofos; tendes estado a ouvir; tendes levantado a pergunta: «Onde podemos encon¬trar a autoridade final? Eis a resposta oriunda do Céu, de Deus: «A Ele ouvi». Outra vez, como se vê, Ele é indicado, Ele é posto diante de nós como a última palavra, a Autoridade final, Aquele a quem  nos  devemos  submeter,  a quem devemos ouvir.

Authority, p. 16.17
Read More

17 janeiro 2011

Que fazeis mais do que os outros? – Lloyd-Jones


Jamais houve um homem cuja predica de poderosa ênfase à graça fosse tão freqüentemente mal compreendida (como Paulo). Você recorda a dedução tirada por alguns em Roma e alhures. Diziam: «Pois bem, em vista do ensino desse homem chamado Paulo, façamos o mal para que a graça seja mais abundante, pois certamente esse ensino. . . leva a esta conclusão, e a nenhuma outra. Paulo acaba de dizer: Onde abundou o pecado, superabundou a graça; muito bem, conti¬nuemos no pecado para que a graça seja cada vez mais abundante». «De modo nenhum», replica Paulo. E tem que estar dizendo isso constantemente. Dizer que, uma vez que estamos sob a graça não temos absolutamente nada que "ver com a lei e que podemos esquecê-la, não é o ensino das Escrituras. . .

Não estamos debaixo da lei no sentido de que ele nos condena; ela não mais pronuncia juízo ou conde¬nação contra nós. Não! Mas o que se espera de nós é que a vivamos, e que a ultrapassemos até, O argumento do apóstolo Paulo é que devemos viver, não como uma pessoa sujeita à lei, mas, sim, como uma pessoa livre, que pertence a Cristo. Cristo guardou a lei, viveu a lei. Conforme este mesmo Sermão do Monte o salienta, nossa justiça tem que sobrepujar à dos escribas e fariseus. De fato, Ele não veio para abolir a lei; cada i ou til tem que ser cumprido e consumado.

Studies in the Sermon on the Mount,i, p. 12.
Read More

16 janeiro 2011

A Paz de Deus - M. Lloyd-Jones


Oh, paz maravilhosa, maravilhosa e doce paz — o dom do amor de Deus!

Que diremos desta frase: «.  . .a paz de Deus, que excede todo o entendimento. . .»? (Filipenses 4:7). Você não pode compreender essa paz, não a pode imaginar, em certo sentido nem crer nela você pode, e, não obstante, ela está acontecendo e você a está experimentando e desfrutando. É a paz de Deus que está em Cristo Jesus.

Que quer ele dizer com isso? Ele está dizendo que essa paz de Deus opera pela apresenteção do Senhor Jesus Cristo a nós, fazendo-O bem vivo â nossa memória. Ou, nas palavras do argumento da Epístola aos Romanos: «Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida» (Romanos 5.10 — ver também Romanos 8.28,32).

«Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus. que está em Cristo Jesus nosso Senhor» (Romanos 8.38,39)- O argumento é que se Deus fez o máximo por nós, com a morte de Seu Filho na cruz, não pode abandonar-nos agora, não pode deixar-nos na metade do caminho, por assim dizer. Assina, a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarda os nossos corações e as nossas mentes em Jesus Cristo e medi¬ante Ele. Deste modo Deus garante a nossa paz, bem como nossa libertação da ansiedade.
Spiritual Depression, p. 270,1.
Read More

15 janeiro 2011

Cuidado com o astigmatismo da alma! – Lloyd-Jones


Com freqüência tem sido mal compreendida esta ex-pressão: «Não tomeis nenhum pensamento» (Mateus 6.34) e . . . muitos têm coxeado e tropeçado. . . o verdadeiro sentido de «Não tomeis nenhum pensamento» mudou desde que foi posta em circulação a Versão Autorizada (Authorized Version), em 1611. Se você consultar os especialistas nesse campo, verá que eles fazem citações de Shakespeare para mostrar que «tomar pensamento» era então usado no sentido de «estar ansioso», ou tender para a inquietude. Assim, a verdadeira tradução. . . deveria ser: «Não estejais ansiosos», ou «Não tenhais ansiedade», ou, se você prefere, «Não vos inquieteis» (que é como aparece na Edição Revista e Atualizada no Brasil), acerca de sua vida, sobre o que haveis de comer ou beber. . . a palavra empregada por Jesus é deveras interessante; é a palavra usada para indicar algo que nos divide, separa ou desvia a atenção, vocábulo utilizado com grande freqüência no Novo Testamento. . . você encontrará (em Lucas 12.29) a expressão . . . «não vos entregueis a inquietações», ou seja, «nem tenhais mente impregnada de dúvidas».

Trata-se da mente dividida em secções e compartimentos, não funcionando como um todo. A melhor maneira de descrever a situação é dizer que essa mente não é «um só foco visual», ou «olho singelo». Há uma espécie de visão dupla, um olhar em duas direções ao mesmo tempo, não se tendo, pois, nenhuma percepção visual correta de coisa alguma. . .

A história de Marta e Maria oferece ilustração ainda melhor do sentido dessa expressão... (Lucas 10.38-42). Nosso Senhor voltou-se para Marta e a repreendeu. Disse-lhe: «Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas cousas». A pobre Marta estava com a atenção desviada — este é o verdadeiro significado da expressão; ela não sabia em.que altura estava nem o que, de fato, queria. Por outro lado, Maria tinha um único propósito, um único alvo; não a distraíam muitas coisas. Portanto, a advertência do Senhor é contra o perigo de sermos desviados do principal objetivo da vida pela preocupação com coisas terrenas e mundanas, ao fixarmos os olhos nelas e perdermos Deus de vista.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 110.
Read More

14 janeiro 2011

A única esperança do homem - o Evangelho – Lloyd-Jones



Quão trágico é que a humanidade carrega desde há muito a culpa do erro estulto de inverter a verdadeira ordem da religião e da moralidade! Pois na hora em que são colocadas em sua posição certa, a situação se altera total-mente. Precisamente do modo como falha a moralidade, quando sozinha, o Evangelho de Cristo obtém êxito. Ele co-meça com Deus e existe para glorificar o Seu santo Nome. Ele restabelece a correta relação do homem com Deus, reconciliando-o com Ele através do sangue de Cristo. Ele diz ao homem que este é mais importante que as suas ações e que o seu ambiente, e que quando o homem se endireita, este necessariamente endireitará suas ações e o seu ambiente.

O Evangelho atende às necessidades do homem integral — corpo, alma e espírito, intelecto, desejo e vontade, dando-lhe a mais elevada visão de todas, e enchendo-o de paixão e desejo de viver bem a vida, a fim de expressar gratidão a Deus por Seu maravilhoso amor. O Evangelho lhe prove poder; das profundezas de sua vergonha e desgraça, resultantes do seu pecado e queda, o Evangelho o restaura, assegurando-lhe que Cristo morreu por ele e por seus pecados, e que Deus o perdoou. O Evangelho o chama para uma nova vida e para um novo começo, prometendo-lhe poder que vencerá o pecado e a tentação e, ao mesmo tempo, o capacitará a viver a vida que ele crê e sabe que deve viver.

Aí, e somente aí, se acha a única esperança para os homens e para o mundo. Tudo mais foi experimentado e falhou. A falta de fé em Deus, de temor a Deus, é o maior pecado; é o pecado central. Ê a causa de todos os nossas demais problemas. Os homens devem voltar a Deus e recomeçar com Ele. E — louvado seja Deus — o caminho que devem seguir para fazê-lo ainda está amplamente aberto em «Jesus Cristo, e este crucificado».

The Plight of Man and Power of God, p. 40
Read More

13 janeiro 2011

A história está ligada ao reino divino – M. Lloyd-Jones


A chave da história do mundo é o reino de Deus. A história das outras nações mencionadas no Velho Testamento faz sentido somente em função do destino de Israel. E em última análise a história contemporânea sà tem relevância em função da história da igreja cristã. O que de fato importa no mundo é o reino de Deus.

Desde o começo, desde a queda do homem, Deus vem atuando para estabelecer um novo reino no mundo. Esse reino é dEle, e Ele está chamando gente para fora do mundo, para entrarem nesse reino; e tudo que sucede no mundo tem significado para ele. . . Outros eventos são de importância na medida em que tenham algo que ver com aquele evento. Os problemas de hoje devem ser compreendidos somente à luz do reino de Deus.

Portanto, não claudiquemos ao vermos coisas surpreendentes acontecerem no mundo. Antes, perguntemos: «Qual é a relevância deste evento para o reino de Deus?» Ou, se coisas estranhas estão sucedendo a você, pessoalmente, não se queixe, mas diga: «Que é que Deus me está ensinando por meio disto? . . . Onde errei, e por que Deus está permitindo estas coisas?» Há sentido nelas, se ao menos formos capazes de vê-lo.

Não precisamos ficar desnorteados, nem duvidar do amor ou da justiça de Deus. Se a Deus faltasse bondade a ponto de nos atender imediatamente a algumas de nossas orações, e segundo a nossa vontade, viríamos a ser cristãos mui empobrecidos. Afortunadamente, Deus às vezes protela Sua resposta a fim de dar o devido tratamento ao egoísmo ou a outras coisas nocivas de nossa vida. Ele se preocupa conosco, e Sua intenção é preparar-nos para um lugar mais completo em Seu reino. Portanto, devemos julgar todos os acontecimentos à luz do grande, eterno e glorioso propósito de Deus.

From Fear to Faith, p. 23,4
Read More

12 janeiro 2011

Eis o servo do Senhor – M. Loyd-Jones


Cristão é aquele que por necessidade tem que estar interessado em guardar a lei de Deus. . . Não estamos «sob a lei», mas a intenção de Deus ainda é que a guardemos; a «justiça da lei» é para ser «cumprida em nós», diz o apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos. . . Assim, é cristão aquele que está sempre interessado em viver e cumprir a lei de Deus. Aqui se lhe faz lembrar como é que se deve fazer isso.

Volto a dizer que uma das coisas mais óbvias e essenciais quanto ao cristão é que ele vive sempre cônscio de que está na presença de Deus. O mundo não vive desta maneira; essa é a grande diferença existente .entre o cristão e o não-cristão. O cristão. . . não é, por assim dizer, um livre agente. Ele é filho de Deus, de modo que tudo quanto faz o faz do ponto-de-vista de estar sendo agradável aos olhos de Deus. Aí está porque o cristão, necessariamente, deve ver tudo o que lhe sucede neste mundo de maneira inteiramente diversa de toda gente. . .

O cristão não se aflige por causa de comida, bebida, casa e roupas. Não é que ele diga que essas coisas não lhe importam, mas elas não constituem o seu principal interesse, não são as coisas pelas quais ele vive. O cristão não se apega demais a este mundo e seus lidares. Por que? Porque pertence a outro reino e a outro modo de ser. Ele não se retira do mundo; esse foi o erro do monasticismo da Igreja Católica  Romana.

O Sermão da Montanha não lhe ordena que fuja da > vida para viver a vida cristã. Porém diz, isto sim, que a sua L atitude é por completo diferente da do não-cristão, por causa da relação que há entre você e Deus, e por causa de sua total dependência dEle.

Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 26,7.
Read More

11 janeiro 2011

O Precioso Sangue de Cristo – Lloyd-Jones


Salvos por Seu precioso sangue.

Em 2.13-16 (Paulo) lembra a esses cristãos efésios que eles são pessoas que perceberam que todas as suas boas obras, roda a sua boa forma de viver, todas as suas atividades, sua nacionalidade, sua religião, e tudo quanto haviam possuído antes, eram completamente inúteis, e que vieram a ser cristãos, introduzidos nessa unidade que há na igreja, inteiramente pela ação do Senhor Jesus Cristo, e, em particular, pelo derramamento do Seu sangue na cruz. . .

Foi desse modo que foram introduzidos à unidade. . . Foram «comprados» para o reino e a família de Deus pelo preço do «precioso sangue de Cristo». Ninguém pode jamais pertencer a essa família, e participar dessa unidade, a não ser que creia nisso.

O apóstolo prossegue dizendo que somente por essa razão é_que podemos orar. «Porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito» (2.18). . . Hebreus 10.19 ensina a mesma verdade. . . Somente confiando-nos ao sangue de Cristo, crendo que o Seu sangue foi derramado por nós e por nossos pecados, crendo que «àquele que não conheceu pecado» Deus «o fez pecado por nós» (2 Coríntios 5.21). . . é que temos acesso ao Pai.

O apóstolo termina (o capítulo 2) dizendo que as pessoas às quais ele está exortando a continuar nesta unidade são as que, como resultado disso tudo, agora se constituem em concidadãos e membros da família de Deus, e ajustados, e vão sendo juntamente «edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas», o que significa o ensina e a doutrina dos apóstolos e profetas. E porque estão sobre esse fundamento, tornaram-se «habitação de Deus», que neles habita.
Read More

10 janeiro 2011

A tirania das coisas – M. Lloyd-Jones


Jesus nos adverte. . . do terrível poder, sobre nós, dessas coisas terrenas que nos agarram. . . Diz Ele: «Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração». Depois, no versículo 24 (Mateus 6), Ele fala a respeito da mente. «Ninguém pôde servir a dois .senhores» — e devemos notar a palavra «servir». São esses os termos significativos que Ele emprega para fazer calar em nós a percepção do terrível controle que essas coisas tendem a exercer sobre nós. Quando nos detemos a pensar, não ficamos todos cientes delas — a tirania de pessoas, a tirania do mundo? . . . Estamos todos envolvidos nisso; estamos todos presos a este terrível poder do mundanismo que realmente nos dominará, a menos que tomemos consciência do seu perigo.

Mas ele não é apenas poderoso; é deveras sutil. É aquilo que de fato controla a vida da maioria dos homens. Você já notou a mudança, a mudança sutil, que tende a ocorrer na vida dos homens, à medida em que vão tendo sucesso e vão prosperando neste mundo? Isso não acontece com os que são verdadeiramente espirituais; mas aos que não são espirituais, é o que invariavelmente sucede. Por que será que geralmente o idealismo se associa à mocidade e não à meia idade e à velhice? Por que as pessoas tendem a tornar-se cínicas conforme vão envelhecendo? Por que tende a desaparecer uma atitude nobre para com a vida? É porque nos tornamos todos vítimas dos «tesouros sobre a terra»; e se você se puser a observar, verá isso na vida dos homens. Leia biografias.

Muitos jovens começam com uma brilhante visão, mas. . . talvez em escolas univesitárias são influenciados por uma perspectiva essencialmente mundana. . .Continuam sendo homens sim¬páticos, retos e prudentes; mas já não são os homens que eram no princípio. Algo se perdeu. Sim; isso é um fenômeno familiar: «As sombras do cárcere começam a adensar-se em torno do rapaz que cresce». Não temos todos nós experiência de algo dessa natureza? Aí está; é um cárcere, e depressa se apoderará de nós, se não nos dermos conta disso.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 91,2.
Read More

09 janeiro 2011

O modo do mundo – M. Lloyd-Jones


Esta (a primeira bem-aventurança — Mateus 5.3) só não é admirada pelo mundo; é até desprezada por ele. Você jamais achará maior antítese ao espírito e perspectiva mundanos do que a desse versículo. Que ênfase o mundo dá à sua fé na independência pessoal, na auto-confiança e na auto--expressão! Veja a literatura do mundo. Se você quer pro¬gredir neste mundo, ela diz, creia em si mesmo. Essa idéia está dirigindo de modo absoluto a vida dos seres humanos na época atual. . .

Qual é, por exemplo, a essência da arte do vendedor, segundo as idéias modernas? É dar a impressão de confiança e segurança. Assim é que você deverá agir, se é que pretende causar boa impressão ao freguês. A mesma idéia é posta em prática em todos os setores. Se você quer ter bom êxito numa profissão, o grande segredo é dar a impressão de que você é um sucesso, de modo que você faz os outros pensarem que você tem conseguido maior sucesso do que na verdade desfruta, e as pessoas então dizem: «Este é o homem que devemos procurar. . .» Auto-confiança, segurança, autonomia pessoal. E é em termos dessa crença fundamental que os homens pensam que podem introduzir o reino; constitui toda a base da fatal presunção de que pelos decretos governamentais, tão-somente, pode-se produzir uma sociedade perfeita. . .

Pois bem, nesse versículo somos confrontados por algo que está em completo e absoluto contraste com aquilo. . . Você há de se lembrar dos versos em que Charles Wesley diz': Eu sou todo falto de justiça; cheio de pecado e vil eu sou.

(Anos atrás, alguém ridicularizou disso) e perguntou: «Quem é que, desejando obter um posto ou emprego, sonharia em ir a um empregador e dizer (isso) a ele. . .? Ridículo!» . . . Você percebe quão completa incompreensão isso revela. . . Se você sente, na presença de Deus, que você possui qualquer coisa mais do que total pobreza de espírito, é que, em última análise, você nunca O defrontou.

Studies in the Sermon on the Mount, i. p. 44,5.
Read More

08 janeiro 2011

Edificou a sua casa sobre a rocha – M. Lloyd-Jones


O homem prudente. . . tem um só grande desejo, e é o de construir duravelmente. Começa dizendo: «Não sei muita coisa a respeito disso; não sou perito nessas coisas; portanto, a sabedoria manda que eu consulte gente entendida. Quero ter plantas e especificações, e quero receber orientação e instruções. Conheço pessoas que podem construir casas com rapidez, mas eu quero uma casa que dure. Podem acontecer muitas coisas que porão à prova minhas noções de construção e a minha casa». Eis aí a essência da sabedoria.

O prudente se dá ao trabalho de verificar tudo o que pode; exerce controle próprio e não se deixa empolgar demais com os seus sentimentos e emoções ou com o seu entusiasmo. Deseja obter conhecimento, verdade e compreensão; está disposto a reagir positivamente às exortações do Livro de Provérbios que nos concita a que desejemos e procuremos a sabedoria. . . Não está disposto a correr riscos, e não se precipita às carreiras, ele pensa antes de agir. . .

Quando a casa já está construída, é tarde demais. A hora do exame é bem no início. (Os construtores prudentes e os insensatos) e suas operações devem ser observados quando estão nos projetos, nas plantas e na escolha do local e sítio das obras. A hora de ficar de olho no construtor rápido e ineficiente é no começo, para ver como ele age no lançamento do alicerce. Não basta olhar a casa depois de pronta. Na verdade, a casa sem alicerces pode ter melhor aparência do que a outra ... em última instância, porém, a coisa mais importante em uma casa é o alicerce. Essa é uma verdade freqüentemente salientada na Bíblia. Os alicerces, que parecem tão insignificantes e sem importância, porque ficam fora da vista, são, contudo, a parte mais importante e vital de todas. Se houver algum erro nos alicerces, tudo o mais estará forçosamente errado.

Studies in  the Sermon on the Mount, ii, p. 299,300.
Read More

07 janeiro 2011

Sugiro que Você cave Fundo – M. Lloyd-Jones


Edificou a sua casa sobre a areia II

Finalmente, é uma mentalidade que nunca pensa nas coisas de modo completo, e nunca pára a fim de focalizar e considerar possibilidades e eventualidades. O imprudente que edificou sua casa na areia, sem alicerces, não se deteve para pensar ou para perguntar-se a si mesmo: «Agora, que poderá acontecer? Haverá possibilidade de que o rio, tão agradável de ver-se na seca, na estação das águas venha a avolumar-se muito como resultado de pesadas chuvas ou nevascas, chegando a sair do leito e inundar a tudo?» Ele não parou para pensar nisso; o que ele queria era uma casa bem ali, naquela posição, e construiu-a sem levar em consideração nenhuma dessas coisas.

E se alguém tivesse chegado e dito: «Olhe aqui, meu amigo, não se costuma levantar uma casa sobre a areia desse modo. Você não sabe o que pode suceder neste local? Você não sabe o que este rio é capaz de fazer. Eu já o vi virar verdadeira catarata. Aqui já enfrentei tempestades que podem pôr abaixo as casas mais bem construídas. Amigo, sugiro que você cave fundo. Procure chegar até onde o chão é sólido» — o imprudente teria desprezado o conselho e teria persistido em fazer o que ele considerava o melhor para si.

No sentido espiritual, ele não está interessado em aprender da história da igreja; não está interessado naquilo que a Bíblia tem a dizer; quer fazer algo, e crê que o pode fazer à sua maneira, e lança-se ao feito. Não consulta a planta e as especificações; não procura olhar para o futuro e vislumbrar certas provas a que inevitavelmente será submetida a casa que está sendo edificada.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 299-
Read More

06 janeiro 2011

Edificou a sua casa sobre a areia – M. Lloyd-Jones


Quais as características do insensato? A primeira é que ele vive com pressa. Os tolos estão sempre com pressa; querem fazer tudo de uma vez; não têm tempo para esperar. Quantas vezes a Escritura nos adverte contra isso! Ela nos fala que o homem piedoso e reto «não se precipitará». Ele nunca se rende à agitação, à excitação e à pressa. Ele conhece a Deus e sabe que os decretos, os propósitos e o plano de Deus são eternos e imutáveis. Mas o insensato é impaciente; ele nunca tem tempo; está sempre interessado em atalhos e resultados imediatos. . . Todos nós estamos familiarizados com essa espécie de gente na vida de todo dia, mesmo não se tratando do cristianismo. Ele é o tipo de homem que diz: «Preciso ter uma casa de uma vez; não há tempo para o alicerce». Está sempre com pressa.

Ao mesmo tempo, por causa dessa mentalidade, ele não se preocupa em receber instruções; não dá atenção às normas que regem a construção de casas o que. . . é uma coisa séria, e quem deseja edificar uma casa devia. . . dar-se conta de que devem ser observados certos princípios de construção, se alguém quer ter um edifício satisfatório e durável... O homem prudente anseia por saber a maneira certa de fazer as coisas; sendo assim, ele dá ouvidos à instrução e está disposto a ser ensinado. Mas o insensato não se interessa por isso; ele quer uma casa; não quer ser molestado por regras e regulamentos. «Vamos levantá-la», diz ele. É impaciente, avesso à instrução e ao ensino, dizendo que o que ele quer é «ir adiante com a obra». . .

O insensato não somente anda muito apressado para estar ouvindo instruções como também acha isso desnecessário. Em sua opinião, suas idéias são as melhores. Ele não tem nada para aprender de quem quer que seja. . . Não dá atenção ao que foi feito no parado, mas simplesmente segue os seus próprios impulsos e idéias


Studies in the Sermon on the Mount, pág. 298. 
Read More

05 janeiro 2011

Se Deus não Revelar - M. Lloyd-Jones


A verdade de Deus é um mistério que somente Deus pode revelar

A Bíblia diz clara e francamente que o homem é total-mente incapaz de chegar ao conhecimento da verdade por meio de alguma teoria científica, e que se ele pretende obtê-lo, precisa submeter-se à revelação. Em outras palavras, tem que admitir que não pode chegar à verdade sem auxílio. Deve abrir mão da sua auto-confiança; deve deixar de confiar em seu intelecto e em seu poder de raciocínio. . .

A Bíblia começa falando exatamente isso aos homens. .
A Bíblia começa dizendo exatamente isso aos homens
... O homem necessita sujeitar-se à revelação. Pois a verdade
é um mistério, e se o homem quiser ter algum conhecimento
dela terá que submeter-se com humildade e reverência: . .

Sempre achei que uma das maiores asserções (deste ensinamento bíblico) está no quadro de Moisés e a sarça ardente. Com atitude tipicamente científica, Moisés, ao ver o fenômeno, disse: «Irei para lá, e verei essa grande maravilha» . . . Estava pronto para avançar e investigar, quando ouviu a voz de Deus a lhe dizer: «Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa» (Êxodo 3-1-5). Você não fará investigações aqui; prestará culto com reverência e temor. . . (Jesus) ensinou a mesma verdade em Sua entrevista com Nicodemos — mui capaz e erudito mestre dos judeus, que O procurara desejando investigar e querendo compreender. Foi a ele que Cristo disse: «Em verdade, em verdade te dito que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. . . O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai. . .» (João 3-3-8).

The Approach to Truth. Scientific and Religious, p. 21-3.
Read More

04 janeiro 2011

O Evangelho de Cristo — a maior das mensagens – Lloyd-Jones


A glória do Evangelho é que ele é primariamente o anúncio do que Deus faz e do que fez, na Pessoa de Jesus Cristo. Essa era a essência do Evangelho de Paulo. . . Foi esse o Evangelho pregado por todos os apóstolos. Pregavam que Jesus era o Cristo. Faziam uma publicação, uma proclamação. Primeiramente, convocavam o povo para ouvir o que eles denominavam «boas novas». Não esboçavam logo de início um programa de vida e conduta.

Pregavam não um programa e, sim, uma Pessoa. Diziam que Jesus de Nazaré era o Filho de Deus vindo do Céu à terra. Diziam que Ele manifestou e demonstrou Sua divindade sem igual, vivendo uma vida perfeita, imaculada, isenta de pecado, vida de completa obediência a Deus, e também pela realização de milagres. Sua morte na cruz não foi mera-mente o fim de Sua vida, mas o resultado de Sua rejeição por parte dos Seus concidadãos, tendo significação mais profunda e eterna. . .

«Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo» e «àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus» (2 Coríntios 5.19,21). Mas isso não foi tudo. Ele ressuscitara do túmulo, havia-se manifestado a certas testemunhas escolhidas, e depois ascendera ao Céu. Do Céu enviara o dom do Espírito Santo à igreja primitiva e lhe comunicara. . . nova vida e poder. A vida dos primeiros cristãos se transformara inteiramente, e eles passaram então a possuir vida de verdade.Essa era a mensagem. Toda a sua ênfase era dada ao que Deus tinha feito. O seu conteúdo era o modo da salvação designado por Deus para tornar justos os homens. Ao homem cabe simplesmente aceitá-la em submissão. Eis aí uma espécie de mensagem da qual se pode ter orgulho. Eis aí algo que capacitava o mensageiro a enfrentar os estóicos e os epicureus em Atenas sem ficar vermelho de vergonha e sem precisar pedir desculpas; eis aí a mensagem que fez as mais elevadas e grandiosas filosofias do mundo parecerem nada mais que o balbuciar e gaguejar dos bebês.

The Plight of Man and the Power ofGod, p. 82,3.
Read More