Hipercriticismo – Martyn Lloyd-jones (1899-1981)
Se você quer de fato
ajudar outros, e ajudar a livrá-los destas manchas, faltas, fraquezas e
imperfeições, primeiramente verifique que o seu próprio espírito e toda a sua
atitude têm sido errôneos. Esse espírito de julgamento, hipercriticismo e
censura que há em você é como uma trave, contrastada com o minúsculo argueiro que
está no olho da outra pessoa . . . «Comece com o seu próprio espírito. . . (é o
que diz Jesus), encare-se a si próprio de maneira bem honesta e frontal, e
admita a si mesmo a verdade sobre sua pessoa».
Como haveremos de
fazê-lo na prática? Leia 1 Coríntios 13 todos os dias; leia diariamente essa
asserção feita por nosso Senhor (Mateus 7.1-5). Examine a sua atitude para com
seu próximo: encare a verdade sobre si próprio. . . E um processo deveras
penoso e entristecedor. Mas. se examinarmos, de maneira honesta e veraz, a nós
mesmos, aos nossos juízos e pronunciamentos, estaremos na estrada real que nos
levará a extrair a trave de nossos olhos. Então, havendo feito isso, estaremos
tão humilhados que ficaremos totalmente livres do espírito de censura e de
crítica exagerada.
Que maravilhosa peça de
lógica é esta! Quando um homem se vê a si próprio como realmente ele é, nunca
mais julga a quem quer que seja de modo errôneo. Todo o tempo de que dispõe o
toma para condenar-se a si mesmo, para lavar suas mãos e para tentar
purificar-se. . . Você não poderá ser um oculista espiritual enquanto não tiver
clara a própria vista.
Assim, quando nos
encaramos a nós mesmos e extraímos essa trave, quando nos julgamos e nos
condenamos a nós mesmos e ficamos nessa condição humilde, compreensiva,
compassiva, generosa e caridosa, então estamos capacitados. . . a «falar a
verdade com amor» a outra pessoa, e, por este meio, a ajudá-la. . . Não julgue,
a não ser que primeiro se julgue a si mesmo.
Studies in the Sermon on the
Mount, n, p. 180-2.



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